quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

OFERTA!

Senhor,


Como ninhos Te ofereço as minhas mãos!

Enche-as de amor,

Forra-as de carinhos

E nelas deposita os meus irmãos...

Aqueles que sofrem, que têm sono e frio,

E raiva, e revolta, e dor!

Os que se perderam no vazio

De um mundo sem amor!



Senhor,

Como berços Te ofereço as minhas mãos!

Enche-as de luz

E rendas de humildade,

E nela deposita os meus irmãos...

Os que a vida deixaram nas estradas,

Os que ainda não sabem onde estão,

E mergulham nas águas agitadas

De sombra e solidão!



De mãos cheias, Senhor,

Pela Tua graça,

Ao peito as recolho, como quem abraça

Irmãos muito queridos...

E sonho que consolo

Dores e gemidos

E mostro caminhos a quem por mim passa

Perdido no tempo

Dos mundos perdidos...



Da Tua luz me vem esta fé!

O Teu amor me dá confiança!

E sei que o meu sonho,

Mais que sonho,

É,

Por Tua bondade,

Canteiro de flores de esperança,

Semeadas no deserto

Da saudade

E da desesperança!



Maria de Deus
 

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Sobre o Natal...

Meus amigos e amigas... cá estou de novo!
Aqui há uns anos, por altura do Natal, procurei saber - num reduzido grupo de inquiridos, é certo - que significado davam ao Natal. O resultado da minha pesquisa foi, digamos, um pouco decepcionante. Hoje, "por acaso", encontrei nos meus arquivos o poema que na altura escrevi. Como me pareceu actual, gostaria de partilhá-lo. Não é minha intenção ferir susceptilidades, mas tão só ilustrar um estado de espírito e embalar-vos na música das palavras. Eis-me, pois,

  
À PROCURA DO NATAL

Procurei o Espírito do Natal...
Pensava encontrá-lo facilmente,
Mas fui perguntando a toda a gente
... E ninguém o vira!
E quando quase desistira,
Ocorreu-me perguntar:
"O Pai Natal, alguém o viu passar?"
E toda a gente vira!
"Ah! O Pai Natal!
Vi, sim, vi-o no Centro Comercial."

Agradeci e vim embora
Porque, ao Centro, eu própria já fora!
E fiquei triste
E, triste, pensei,
E a mim mesma perguntei:
"Será que ainda existe
O Espírito do Natal?!
De toda a gente, ninguém, mas ninguém,
Me falou do Menino
Que nasceu em Belém!"

As canções de Natal,
Que anunciam a vinda de Jesus ao mundo,
Não passam, afinal,
De música de fundo...
E as luzes, os enfeites,
A animação,
A árvore de Natal,
São mera atracção
Comercial.

Encontrei gente cansada,
Apressada,
Descontente
(... Ainda faltam prendas...
E os perus
Não dão para as encomendas!...)
Vi crianças birrentas,
Sonolentas,
P'ra quem nenhuma prenda
É já surpresa...
... E aumentou a minha tristeza...
  

O Menino que nasceu de Maria
Há 2000 anos, numa noite fria,
Sem tecto, sem lar,
Espírito de Luz,
O doce Jesus
Que à Terra desceu para nos salvar,
Quem Lhe dedicou um pensamento?
Quem n'Ele pensou
Por mais de um momento?

(A minha consciência olhou para mim
Com ar de juiz
E eu confessei
Quem nem eu o fiz.)

Vi festas de família,
Muita luz, muita cor...
Morte nas estradas, muita dor...
Um ou outro Presépio,
Aqui e ali,
Também vi.
Amor, também achei!
Vi esperança...
Mas o Espírito do Natal,
Que conheci em criança,
Esse, não o encontrei...


Maria de Deus
 Natal 2000