quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

OFERTA!

Senhor,


Como ninhos Te ofereço as minhas mãos!

Enche-as de amor,

Forra-as de carinhos

E nelas deposita os meus irmãos...

Aqueles que sofrem, que têm sono e frio,

E raiva, e revolta, e dor!

Os que se perderam no vazio

De um mundo sem amor!



Senhor,

Como berços Te ofereço as minhas mãos!

Enche-as de luz

E rendas de humildade,

E nela deposita os meus irmãos...

Os que a vida deixaram nas estradas,

Os que ainda não sabem onde estão,

E mergulham nas águas agitadas

De sombra e solidão!



De mãos cheias, Senhor,

Pela Tua graça,

Ao peito as recolho, como quem abraça

Irmãos muito queridos...

E sonho que consolo

Dores e gemidos

E mostro caminhos a quem por mim passa

Perdido no tempo

Dos mundos perdidos...



Da Tua luz me vem esta fé!

O Teu amor me dá confiança!

E sei que o meu sonho,

Mais que sonho,

É,

Por Tua bondade,

Canteiro de flores de esperança,

Semeadas no deserto

Da saudade

E da desesperança!



Maria de Deus
 

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Sobre o Natal...

Meus amigos e amigas... cá estou de novo!
Aqui há uns anos, por altura do Natal, procurei saber - num reduzido grupo de inquiridos, é certo - que significado davam ao Natal. O resultado da minha pesquisa foi, digamos, um pouco decepcionante. Hoje, "por acaso", encontrei nos meus arquivos o poema que na altura escrevi. Como me pareceu actual, gostaria de partilhá-lo. Não é minha intenção ferir susceptilidades, mas tão só ilustrar um estado de espírito e embalar-vos na música das palavras. Eis-me, pois,

  
À PROCURA DO NATAL

Procurei o Espírito do Natal...
Pensava encontrá-lo facilmente,
Mas fui perguntando a toda a gente
... E ninguém o vira!
E quando quase desistira,
Ocorreu-me perguntar:
"O Pai Natal, alguém o viu passar?"
E toda a gente vira!
"Ah! O Pai Natal!
Vi, sim, vi-o no Centro Comercial."

Agradeci e vim embora
Porque, ao Centro, eu própria já fora!
E fiquei triste
E, triste, pensei,
E a mim mesma perguntei:
"Será que ainda existe
O Espírito do Natal?!
De toda a gente, ninguém, mas ninguém,
Me falou do Menino
Que nasceu em Belém!"

As canções de Natal,
Que anunciam a vinda de Jesus ao mundo,
Não passam, afinal,
De música de fundo...
E as luzes, os enfeites,
A animação,
A árvore de Natal,
São mera atracção
Comercial.

Encontrei gente cansada,
Apressada,
Descontente
(... Ainda faltam prendas...
E os perus
Não dão para as encomendas!...)
Vi crianças birrentas,
Sonolentas,
P'ra quem nenhuma prenda
É já surpresa...
... E aumentou a minha tristeza...
  

O Menino que nasceu de Maria
Há 2000 anos, numa noite fria,
Sem tecto, sem lar,
Espírito de Luz,
O doce Jesus
Que à Terra desceu para nos salvar,
Quem Lhe dedicou um pensamento?
Quem n'Ele pensou
Por mais de um momento?

(A minha consciência olhou para mim
Com ar de juiz
E eu confessei
Quem nem eu o fiz.)

Vi festas de família,
Muita luz, muita cor...
Morte nas estradas, muita dor...
Um ou outro Presépio,
Aqui e ali,
Também vi.
Amor, também achei!
Vi esperança...
Mas o Espírito do Natal,
Que conheci em criança,
Esse, não o encontrei...


Maria de Deus
 Natal 2000















quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Partilhando a minha saudade...

     Saudade
  
Há em mim uma saudade de outras eras,
Outros futuros,
Outras Primaveras…

Os meus pés anseiam pela relva fria,
Por correr descalços
Na tarde macia…

Tilinta em meu sonho o cantar das águas
Que no seu cantar
Desfazem as mágoas..

Estendo os meus braços e não acho o verde,
O verde de jade
Que no mar se perde…

No veludo escuro das noites sem lua,
Procurando estrelas
Vou de rua em rua…

Mas só a saudade de um outro lugar
Dirige meus passos,
O meu caminhar…

Saudade de um mundo mais leve, mais puro,
Saudade de amanhã,
Saudade do futuro!

                                         ««««««««««««««««««««

Há em mim uma saudade de outras eras,
Outros futuros,
Outras Primaveras…

            O dia de hoje é um pequeno passo no tempo.
            Este momento da minha vida é isso mesmo - um momento! Um momento na sequência de momentos que se encadeiam para formar a minha existência como individualidade, um piscar de olhos na eternidade. Mas é um momento importante – aquele em que sacudi a névoa da inércia e decidi estar aqui, convosco e comigo, partilhando a minha saudade.
            Nos momentos passados, aqueles que precederam a nossa vinda actual, permanecemos por mais ou menos tempo no mundo da realidade - lá ,onde o sol tem outro brilho, onde as flores não murcham, onde, para aqueles que aceitam a lei do amor, a Primavera oferece o aconchego cálido das manhãs perfumadas e o brilho de opala do céu sem limites. Daí nos vem esta inquietude, este desconforto de nos acharmos num mundo onde tudo nos agride, onde precisamos de subir degrau a degrau a escada da paciência, o muro da compaixão, a torre da caridade.
            O mundo que nos preparou a vinda tem janelas para este, mas só se vê de um lado - do lado de lá. E no lado de lá aprendemos as lições, fizemos promessas, estabelecemos planos de vida, combinámos encontros e aprendizagens; do lado de lá tudo parecia fácil, porque podíamos ver as condições em que tudo se iria desenrolar, e confiávamos que todo o conhecimento se manteria no nosso consciente, à espera para poder ser consultado quando necessário; no lado de lá achávamos que iríamos resistir facilmente às tentações, encontrar o caminho certo, as companhias ideais, as oportunidades perfeitas… e se, por acaso, nos deixássemos abater pelo pessimismo, lá estariam os amigos para nos levantar o ânimo, para nos ajudar nas decisões a tomar, para nos mostrarem a inutilidade das lágrimas e o valor das oportunidades.
            É certo que também tomámos consciência das dificuldades… também escolhemos males físicos ou abrimos o caminho às dores morais como forma de aperfeiçoamento próprio, como meio de combater defeitos antigos ou tendências menos boas… também nos preparámos para reatar laços fraternais com companheiros difíceis, para receber no colo maternal amigos necessitados ou credores de outras vidas… também nos foi dito que o corpo material funcionaria como barreira entre nós e o mundo que por momentos iríamos deixar… mas nada disso era importante! Importante era não deter a marcha do progresso, não adiar a necessidade de aperfeiçoamento, de evolução, de subida na hierarquia dos que aspiram à luz - e cá estamos nós!
            - Não será a inquietação indefinida de que muitos de nós sofremos a saudade do aconchego abençoado do lar que tem janelas para este lado?
            - Ou será o desconforto de sabermos que há coisas que devíamos recordar sem que disso sejamos capazes?

Os meus pés anseiam pela relva fria,
Por correr descalços
Na tarde macia…

            Na memória da minha imaginação, o mundo do lado de lá é verde, azul, castanho, dourado… é verde a relva, de um verde-esmeralda, macia como cetim e perfumada como se fosse acabada de cortar a cada momento! Nem preciso de fechar os olhos para vê-la ondular suavemente na brisa da tarde, para vê-la reflectir os últimos raios dourados do sol, para sentir nos pés descalços a sua carícia fresca e reconfortante…

Tilinta em meu sonho o cantar das águas
Que no seu cantar
Desfazem as mágoas..


            A minha saudade mergulha nas águas…
            Os rios e ribeiras sempre foram, desde a minha meninice, os meus lugares preferidos. Era para junto da água que eu ia chorar as minhas tristezas, curar as minhas birras, dançar as minhas alegrias. Por isso eu "sei" que no lado de onde vim a água é importante: ela renova os nutrientes da terra; é seiva de vida para toda a criação; é veículo que arrasta as energias negativas para que a terra as purifique; transporta em si as energias positivas para que cheguem a quem delas necessita; é berço, é cura, é refrigério, é música, é alegria…
           
            No lado de lá, mergulhamos na água e fazemos parte dela - a água não é uma ameaça em nenhum momento. Mas aqui,

Estendo os meus braços e não acho o verde,
O verde de jade
Que no mar se perde…

            Até os mares estão a perder a pureza das suas águas… são os detritos radioactivos, a poluição urbana, o petróleo tornado praga… E porque o mar já não é aconchego neste mundo perturbado, e porque os rios são rios do sangue das vítimas indefesas dos matadouros, e porque as ribeiras são charcos onde as rãs já não coacham, dou graças pela terra que suporta os meus passos e me permite subir os degraus da minha saudade. E aqui, na Terra,

No veludo escuro das noites sem lua,
Procurando estrelas
Vou de rua em rua…

            E sigo de experiência em experiência, tentando e tentando, subindo e descendo, procurando as estrelas que sei que estão a brilhar para mim… Mas perdi algures, em algum momento, ao longo das caminhadas que a este momento me conduziram, a capacidade de ver as minhas estrelas…ou nunca tive essa capacidade, mas sinto que ela está lá, à minha espera, no final de qualquer rua das ruas que compõem o fio por desenrolar da minha existência.
            Sigo no escuro das minhas promessas - sei que elas foram feitas, mas esconderam-se de mim por detrás da matéria que envolve quem eu sou. Nos momentos de frustração por não saber o que faço aqui, o que deveria fazer aqui, apetece-me dobrar-me sobre mim mesma, meter-me num envelope sem remetente nem direcção e deixar correr o tempo…
            Algo me segreda que não deveria ser assim,

Mas só a saudade de um outro lugar
Dirige meus passos,
O meu caminhar…

            Tropeçando aqui e além, perdendo, por vezes, muito tempo nas voltas e atalhos que me parecem mais amplos e floridos, mas que me afastam do caminho recto, mais estreito e pedregoso, que conduz ao lago azul cobalto da consciência tranquila, procuro também o caminho que conduz aos jardins da fraternidade.
Na memória da minha imaginação, este caminho de terra castanha, acolhedora e farta, onde florescem papoilas e malmequeres, violetas e rosas de toucar, abraça-se a um regato de águas límpidas que deslizam sobre seixos da cor dos brilhantes, das safiras, dos rubis, reflectindo no verde-castanho das margens as mais belas cores, que nem sequer têm nome na minha linguagem.
Mas o caminho é difícil de encontrar… e em cada dia, por um motivo ou por outro, vou adiando a sua busca: é o trabalho, a rotina, as obrigações - reais ou imaginárias - que se criam; são as contrariedades, a doença, a dependência; são os hábitos, a falta de tempo, a incompreensão; o adiar para um amanhã que não se sabe muito bem quando será… Tudo isto forma um manto de nevoeiro que me esconde o caminho que eu devia procurar. Por vezes, em breves lampejos, sinto que o encontrei, e que é lá que quero ficar… porque este caminho recorda-me os caminhos do mundo do lado de lá da vida, do mundo que tem janelas para este lado. E eu quero voltar para esse mundo. Por isso a minha inquietude, a minha saudade, a

Saudade de um mundo mais leve, mais puro,
Saudade de amanhã,
Saudade do futuro!

Maria de Deus

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Ama e Ama-te!


NÃO TE JULGUES ESPECIAL, NUM “MUNDO” DE SERES ESPECIAIS! (2)
  
Maria de Deus: Esta frase singela que, numa primeira leitura, parece ser uma advertência, é de uma tão grande profundidade, encerra uma tão amorosa informação, que Mestre Kuthumi decidiu trazer-nos, ele próprio, a Luz do Esclarecimento. Ouçamo-lo com amor, gratos pela vibração de serenidade e pertença com que nos envolve.

Kuthumi: Não te julgues, porque ÉS!
                Aceita-te, porque ÉS!
                Assume-te, porque ÉS!
               Não te julgues, porque ÉS… aceita-te neste Universo, não só neste mundo, porque és divino, porque és parte de Deus e da divindade do Ser.
            Imagina-te grande, sem limites, sem fronteiras de pensamentos e de decisões de querer.
          Crê em ti como uma energia tão potente que é capaz de desenvolver aquilo a que tu chamas milagres. Sim, TU  próprio és um Milagre… mas não sintas assim tanto entusiasmo, porque TODOS SOMOS UM MILAGRE, capazes de tudo, na medida em que Deus permite que sejamos o que quisermos. Por isso é que estás aqui, por decisão tua, por amor a ti, por “negligência” do teu Ser ou, simplesmente, por aspiração à ascensão.
            Aproveita esta oportunidade única (em termos de energia), aproveita os ensinamentos que te chegam todos os dias, os conhecimentos que redescobres em cada momento, a sabedoria que reencontras na tua vida, na tua essência, na tua amplitude…
            Mas ama-te!
          Ama-te como És… como o Ser que divinamente assumiste, e terás a grandeza de mente e de alma correspondentes à missão que vieste desenvolver – não neste plano, mas sim neste Universo.
           Ama-te e Ama… são as palavras-chave para a tua ascensão. São as únicas palavras que são possíveis de traduzir para este plano… Digo traduzir, pois ainda não AS consegues SENTIR em toda a sua grandeza.
            Ama-te e Ama…
           Sim, amar implica responsabilidade e respeito, por ti e pelo próximo. Por ti – Ser de Luz – e pelo próximo – Ser qualquer, Ser animal, Ser vegetal, Ser mineral… Ser mais denso, Ser invisível, Ser escravizado ou escravizador – por Ti, Ser de Amor… Sim, por todos os que vês e pelos que não sabes que existem. Por todos de quem gostas e por todos os que te passam ao lado, invisíveis pela frequência energética, ou pela negligência, ou, ainda, pela imperfeição da tua alma.
            Ama e Ama-te!
        E sê o Ser especial que simplesmente tem a tarefa de AMAR E DEIXAR-SE AMAR… de reconhecer o verdadeiro amor divino – o Amor Incondicional –, de reconhecer o Ser Especial que sempre foi, É e será, num todo e na eternidade.
            Um abraço deste Ser que simplesmente É,
            igual a vocês – Especial.
            Kuthumi.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Julgar vs saber


NÃO TE JULGUES ESPECIAL, NUM “MUNDO” DE SERES ESPECIAIS! (1)
  
            - Não te julgues especial, num "mundo” de seres especiais!
            - Por que haveria eu de me considerar especial? - responde o meu Eu, ou seja, a entidade com quem o Ego que há em mim se identifica na perfeição. – Não tenho nenhuma característica que me distinga de milhões de outras pessoas! Não me destaco no meio da multidão pela altura, pela cor do cabelo ou dos olhos, pelo porte, pela figura! Sou mais um na minha família, nem mais nem menos querido, amado ou desejado! Nunca fui distinguido pela crítica literária, pela imprensa! Nunca fui agraciado com nenhum prémio! Não brilho nas artes, nas ciências, na investigação! Faço poesia que ninguém lê! A minha vida é pacata, monótona, cinzenta – tal como eu! Por que haveria de me julgar especial? Há tanta gente importante neste mundo! Tanta gente inteligente! Tanta gente famosa, bela, interessante, influente… Esses, sim, são especiais. Agora eu?! Quem sou eu para ter a pretensão de me considerar especial? E, ainda por cima, num mundo cheio de seres especiais!
            - Talvez não seja bem assim… – intervém a voz da minha Alma. – Talvez não seja esse o sentido da advertência… Talvez nem mesmo seja uma advertência…
            - Será o quê, então?
            - Não sei bem… ainda. Mas vamos descobrir. Eu vejo-te por dentro, vejo a tua essência, vejo que és especial, pois vejo quem tu És na realidade…
            - E quem sou eu, na realidade? – a voz do meu Eu tem uns laivos de ironia.
           - Para começar, não és quem o teu Ego te quer fazer crer que és! Não és o ser anónimo, pacato, cinzento, com quem o teu Ego se identifica e quer que te identifiques. Ele criou essa imagem, construiu essa identidade, para se tornar real, para ser – existir – na tua mente como a substância de ti. Ao impor-te essa identidade, essa consciência de ti, deu-te um lugar no mundo e criou uma base de sustentação para os teus objectivos, as tuas necessidades, os teus medos; rodeou-te de um campo de energia de carência, de anulação, de auto-comiseração. Quer fazer-te crer que precisas de brilhar em qualquer coisa para seres aceite, que precisas de aprovação e aplauso exteriores para seres feliz, mas que a tua realização pessoal é algo inatingível. O teu Ego diz-te, a todo o momento, que não vale a pena tentares ser especial, porque o que é importante é a tua condição humana sem sobressaltos, sem altos e baixos. O teu Ego diz-te que o oiças a ele e a mais ninguém, pois ele está no comando e sabe o que faz. Mas, sabes, tudo isso é uma verdade enganadora.
            - Não estou a perceber (Sou Eu/Consciência humana a falar)!
            - O Ego e eu, a Alma, existimos em ti, certo?
            - É… penso que sim… ainda que esses conceitos metafísicos me façam uma certa confusão… Bem, eu quero acreditar que é verdade.
           - Não são conceitos metafísicos – são factos que garantem a permanência, aqui na Terra, da extensão de ti que agora percepcionas.
            - A extensão de mim? Como assim?
            - Sim, a extensão de ti, ou seja, a parte do Ser Maior que tu És que neste momento existe na terceira dimensão. Resumindo: a pessoa – ser físico e espiritual – que vês quando te olhas ao espelho.
            - Ah! Bom. Percebi… acho que percebi.
            - Muito bem. Então, eu e o Ego existimos em ti e, na condição ideal, as nossas energias e influências na tua vida deverão estar em equilíbrio. Isto quer dizer que precisas do teu Ego para a preservação da tua integridade física e mental e para a adequação ao meio humano e social em que te inseres, e precisas da Alma para a preservação da tua integridade emocional e mental e para a adequação ao meio humano e social em que te inseres.
            - Não estarás a repetir-te?
           - Estou. Mas, é mesmo assim. Ambos partilhamos responsabilidades, como vês, ainda que o que se refere à conservação da vida do corpo pertença ao Ego e o que se refere à conservação da Luz do Espírito me pertença.
            - Está-me cá a parecer que nos estamos a desviar do assunto…
            - Um pouquinho, talvez, mas só para esclarecer as tuas dúvidas e contextualizar a resposta.
         - Agradecido… Mas continuo a querer saber se aquela primeira intervenção é, ou não, uma advertência para mim, algo assim como uma chamada de atenção para impedir que o meu orgulho se manifeste por alguma coisa que eu esteja a dizer, a pensar, ou a fazer. E também quero saber quem sou eu, na realidade.
            - Então, podes dizer/escrever Realidade, com R maiúsculo. Na Realidade, tu és uma criação divina. És uma partícula da Luz de Deus. És um Ser que concordou em vencer as barreiras do espaço e do tempo e as contingências da vida na dimensão mais bela da vibração mais baixa da escala vibratória deste Universo – a 3D da Terra –, para poder conduzir até Deus todas as emoções, sensações e experiências que só um ser humano pode vivenciar. A tua essência é Luz e Amor – a mesma essência do Criador!
            «Na Realidade, tu és um Anjo, como Anjos são todos os seres humanos neste “mundo”, na Terra – continuou a Alma. – Cada um de vós é único, especial, com propósitos de vida únicos e especiais. Assim sendo, meu Anjo, não tens que te julgar especial – tens que saber que És especial, num mundo em que todos os seres são, também, especiais.
           
            E assim é!
 Amigos Multi


quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Surpresa!


QUANDO A VISÃO INTERIOR DESPERTA, DEIXAS DE NECESSITAR
DOS TEUS OLHOS PARA VISLUMBRARES O QUE JULGAS INTERESSAR

             O mundo da forma é belo: há homens e mulheres belos, crianças lindíssimas, flores maravilhosas, espécies vegetais fantásticas, animais encantadores, paisagens de cortar a respiração, momentos do dia e da noite que nos deixam estáticos.
            O ser humano dispõe da capacidade de mudar o mundo da forma e torná-lo ainda mais belo: reconstitui rostos desfigurados, restaura corpos mutilados, constrói jóias de arquitectura, desenha jardins de sonho, manipula genes em busca da perfeição…
            O mundo da forma é visível, palpável, admirável. Movemo-nos nele, interagimos com ele, amamo-lo e odiamo-lo.
            Tudo no mundo da forma nos interessa - gostaríamos de ver tudo de todos os lugares; tocar todas as formas, provar todos os sabores, inalar todos os perfumes; mergulhar nas profundezas dos mares e voar pelos céus nas asas do vento; sondar os mistérios dos desertos e escalar as montanhas geladas.
            Tudo no mundo da forma desperta o interesse de alguém, em algum lugar.
           Com a inimaginável diversidade de formas, cores, tons, sons, sabores, texturas, espaços e TUDO que o TODO colocou à disposição dos seres humanos, há tanto, tanto para ver, analisar, processar, tantas coisas a despertar a nossa curiosidade, que fomos perdendo o contacto com a nossa visão interior – deixámo-la adormecer; trocámo-la por tudo aquilo que os nossos sentidos físicos nos dizem ser a realidade – a realidade do mundo da forma.
            Nestes novos tempos, contudo, algo se agita dentro de nós – e digo “nós” porque tenho vindo a aperceber-me de que a inquietude que me desestabiliza encontra eco (ou é o eco!) na mesma sensação expressa por muitas pessoas com quem falo. Esta agitação, este querer não sei o quê, esta expectativa apenas esboçada, esta espera, esta certeza insegura, este devaneio, fazem-me sentir como se estivesse a abrir a porta de uma sala: lá dentro tudo está escuro… sustenho a respiração, fecho os olhos à espera do clarão das luzes e preparo-me para o grito: “Surpresa!”. Nesta infinidade do tempo da espera, no escuro, de olhos fechados e respiração suspensa, eu “vejo” a cena, antecipo os sons, as reacções.
            Esta é uma metáfora da realidade tridimensional em que me movimento, mas é também o exemplo de que não necessito dos meus olhos humanos para “ver” aquilo que desejar ver – posso usar a minha visão interior.
            Como é que se faz? É simples… ou talvez não. Vamos ver se consigo expressar-me com clareza: a minha visão interior ficou desfocada por não ter sido usada por tempos e tempos… nem sei por quantos tempos! Depois, a pouco e pouco, comecei a sentir que para lá das formas que os meus sentidos apreendem e os meus olhos fotografam, há algo mais. E questionei-me: “Por que é que fiquei toda arrepiada de repente, se não há aqui correntes de ar? Por que é que sinto este perfume tão suave e doce, se ninguém entrou na sala e eu não uso perfumes? Por que é que o meu cão correu para mim a ganir, todo encolhido, quando o meu filho entrou, acompanhado de um amiguinho que o cão conhece desde sempre e com quem habitualmente brinca? Por que é que entro em determinados locais e fico com dor de cabeça de imediato? Por que é que entro em outros locais e me parece que o sol foi colocado ali, de propósito, para tornar tudo luminoso? Por que é que as minhas plantas reagem à forma carinhosa como as trato e falo com elas cobrindo-se de flores e perfumes? Por que é que pareço atrair as coisas que mais detesto? Por que é que… Por que é que…”
            São insignificâncias, dirão. É imaginação, dirão. Será? – pergunto eu.
         O facto é que estas “insignificâncias”, ou “coincidências”, ou o que quiserem chamar-lhes, durante muito tempo não despertaram a minha atenção – a minha visão interior, talvez –, passaram completamente ao lado das minhas percepções. Ou seja, a minha visão interior não as conseguia focar, e a minha visão física não as julgava suficientemente importantes para lhes prestar atenção. Mas, como já referi, estes são tempos de “Surpresa!” e aconteceu que a minha visão física começou a achar que talvez valesse a pena lançar um segundo olhar para estas “anomalias”. É claro que nada descobri! Apenas vislumbres inconsequentes.
           Então, lembrei-me (!) de ter ouvido falar de algo chamado “visão interior”! Como eu nunca tinha sentido que tivesse tal coisa, fiquei um pouco perplexa: “onde é que eu vou encontrar isso? E, se encontrar, como é que se activa?” Pelo sim, pelo não, comecei a focar a minha atenção, a minha consciência, bem dentro de mim, no meu coração – não o coração físico, esclareço, mas o coração espiritual, o lugar sagrado dentro de mim onde EU SOU. E, pelo sim pelo não - mais sim e menos não -, comecei a pedir ao Universo que me ajudasse a encontrar – e a saber utilizar – a minha visão interior… E não é que deu resultado?!
            A princípio de forma hesitante, comecei a tomar consciência de que, quando me acontecia algo que podia considerar “menos comum”, se me centrasse no meu coração e pedisse para “ver” a explicação, ela quase sempre me era dada. Não numa projecção visual, não numa imagem ou frase que possa associar aos sentidos físicos, mas antes como o aflorar de um conhecimento interior, uma certeza imbatível, uma ideia a escorrer da Alma, e não da mente.
            A minha visão interior estava a despertar!
            Parece um pouco estranho falar de “visão interior” quando digo acima que a explicação “não é uma projecção visual, não é uma imagem”, não parece? Mas não é estranho, se considerarmos que não estamos a interagir com o mundo da forma, mas sim com o mundo da energia.
            A visão interior de cada Ser pode, ou não, estar adormecida. Seres humanos há que a têm vigilante e activa durante toda a sua vida, da forma adequada à missão que decidiram vir desempenhar na Terra. Outros há que a rejeitaram, que a rejeitam; outros, ainda, que foram obrigados pela ignorância e pelo medo de familiares, de amigos, ou da sociedade, a escondê-la bem fundo, fora do alcance do mundo e, às vezes, de si próprios. Para a maior parte da Humanidade, contudo, o apelo dos sentidos e o imediatismo da vida levaram a que a visão interior, por não ser invocada, se fizesse menos presente, ou ficasse esquecida.
            Reparem que eu digo “menos presente” ou “esquecida”. Não digo “inexistente” ou “ausente”. Portanto, leitor amigo, não me venha dizer que não tem essa tal coisa a que eu chamo visão interior… Já imaginou… a sua Alma sem olhos?
            Só para dar uma achega, dir-lhe-ei que há quem lhe chame – à visão interior – intuição, sobredotação, capacidade psíquica, paranormal, dom de adivinhação, dom de profecia, visão sobrenatural… Isto significa que a visão interior pode assumir variadíssimas formas, conforme o que decidiu – e decide – cada Ser humano. Mas está lá sempre, dentro de si, à espera de que se lembre da sua existência e a procure. À espera de que a desperte. Faça-o! Verá que é como despertar a Bela Adormecida e viverem juntos e felizes para sempre!
            Que a alegria da “Surpresa!” seja uma constante na sua vida!
 M.Deus

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Amor e Amores.


SEM A INTELIGÊNCIA DO AMOR,
NÃO SUPORTARÁS AS PERDAS DO AMOR EGOISTA.

             Neste momento, eleva-se de dentro de mim um grito: “Amor! Vem em meu auxílio! O que é que quer dizer aquela frase ali em cima?”
            Uma vozinha nervosa responde, também dentro de mim: “Qual... dos amores... queres que venha?”
            “Como, qual dos amores? Amor é Amor!” oiço-me a responder de volta.
            “Nnnão é bem assim…” – diz a mesma vozinha, parecendo cada vez mais nervosa – “… há o amor incondicional, o amor humano, o amor divino, o amor de mãe, o amor inconsequente, o amor inteligente, o amor egoísta…”
            “Chega! Chega! Chega! Ainda me estás a confundir mais! Mas, já que há esses amores todos…”
            “E mais alguns…” – a voz é cada vez mais sumida.
            “… já que há esses amores todos, então eu peço ajuda aos dois amores em causa: o amor inteligente e o amor egoísta.”
            “Estou aqui!” – duas vozes doces, em simultâneo… e, mais uma vez, algures dentro de mim! Uma das vozes, porém, adiantou: “Eu sou Amor… e não percebo porque é que me chamam egoísta! É verdade que gosto de ser retribuído; também é verdade que só me manifesto em circunstâncias que me agradem; é mais verdade ainda que costumo desaparecer quando as coisas começam a complicar-se; também não digo que não, se me disseres que não gosto de dividir…”
            “Não será partilhar?” – perguntou a outra voz doce.
            “Não. É mesmo dividir. Partilhar, eu partilho, quando não tenho que ceder nada. Agora quando tenho que abrir mão de algo que é meu, aí as coisas mudam de figura. Prefiro sair, a dividir.”
            “E o vazio que deixas quando sais, não te incomoda?” – a outra voz doce continua a inquirir. E eu a assistir!
            “Não! Por que haveria de me incomodar? Outro amor irá preencher o lugar que eu deixei… e eu outro amor encontrarei. Pois, porque é bom que saibas que eu só me dou com amores, não com outros sentimentos. Por isso, não percebo por que é que me chamam egoísta.”
            “Talvez se eu tentar explicar…”
            “Bem, por alguma razão te chamam o amor inteligente!... acho que, por esta vez, vou ouvir o que tens para dizer. Mas, aviso já, se a conversa não me agradar, ou se for demorada, fecho-me de novo na minha concha – em sentido figurado, é claro!”
            A outra voz doce pigarreou um pouco, suspirou (e eu a assistir!) e começou: “Vou, então, falar-te do teu 'caso' com a nossa hospedeira (Eu!). Lembras-te daquela vez, na escola primária, em que incendiaste o seu coraçãozinho com a imagem de um companheiro de classe bem parecido, sorridente e… cábula?”
            “Hum, hum.”
            “E lembras-te de que, no final do ano escolar, depois de ela ter ajudado o coleguinha a fazer todos os trabalhos de casa (a copiá-los, esclareci eu – mas não me ligaram importância, os atrevidos!) apagaste o incêndio derramando sobre o seu coração uma banheira de água fria, assim, tão de repente como o sorriso desdenhoso que lhe atirou um ‘ainda bem que já são férias. Já não preciso mais de ti`?”
            “Hum… mas se ele não precisava mesmo! Amou enquanto durou! E também me lembro que lá estavas tu, sempre a segredar-lhe que não valia a pena chorar, que ela iria passear nas férias e encontrar outro namoradito que não fosse tão egoísta, que era muito nova, que era um amor que devia sempre lembrar com carinho por ter sido o primeiro, e blá, blá, blá…”
            “E lembras-te de outra vez, na adolescência (a minha adolescência!), em que colocaste na sua cabeça e no seu coração o talento, as palavras meigas (enganadoras, rectifiquei eu) e a cortesia do rapazito que, pela primeira vez, lhe segurou a mão numa carícia acanhada? Lembras-te? Não demorou muito para que lhe roubasses tudo isso, pois eras partilhado por outra adolescente.”
            “Aí está! Partilhado, mas não dividido! E, de resto, nesse caso dividimos – tu e eu – os lucros. Ele, o tal rapazito, ficou a perder – perdeu as duas namoradas. Tanto lhe segredaste (a mim!) que não valia a pena chorar por uma traição, que ele não merecia as lágrimas, que era ainda muito nova, que iria descobrir, mais dia menos dia, o amor verdadeiro, e blá, blá, blá, que era mais inteligente, mais sensato, procurar a amizade da alegada ‘rival’ e não consumir-se em sentimentos azedos, e blá, blá, blá, que ela resolveu seguir os teus conselhos e procurar a ‘outra’ para a pôr a par da duplicidade. E lembro-me que tu ganhaste
 porque ela ganhou uma amiga para a vida, e eu ganhei, porque ela não me deitou culpas – converteu-me em motivo de risota. Devo confessar que fiquei ofendido!”
            “Ora aí tens uma prova do teu egoísmo!” – respondeu o amor inteligente. E continuou: “O amor Amor não se ofende jamais com a alegria, a libertação, a felicidade do seu hospedeiro. Muito pelo contrário – alegra-se, rejubila, acende estrelas nos seus olhos, coloca flores nos seus lábios e mel no seu coração!”
            “Pois, sim! Mas isso é só uma prova. Só uma.”
            “Só uma? Poderia continuar a desfiar aqui o rosário das perdas que o teu comportamento a obrigou a suportar. Não estou a fazer julgamentos, repara! Mas, como não entendias por que te chamam egoísta… estou a tentar que entendas. Com o entendimento, pode ser que mudes de atitude e deixes de pensar só em ti e no que te convém, ou te dá prazer.”
            “Pois, mas eu também me lembro daquela vez em que coloquei flores e mel nos seus lábios e acendi estrelas no seu coração. Isso não conta?”
            “Claro que conta!” – respondeu a outra voz doce. E acrescentou: “A tua primeira intenção é sempre maravilhosa. A tua primeira acção é sempre mágica! Os problemas começam quando surge a realidade. No teu mundo de fantasia, tudo tem que ser perfeito, mas… não é essa a vida real. Eu sempre tento fazer a ponte entre os dois, entre as duas realidades, mas…”
            “Sim, mas daquela vez…”
            “Daquela vez, depois de a teres convencido de que tinha encontrado o Amor da sua vida…”
            “E encontrou!”
            “Pois encontrou. Mas deixa-me continuar.”
            “Não sei se quero ouvir…”
            “Ouvirás, sim! Vai fazer-te bem.”
            “Se tu o dizes! Tu és inteligente…”
            “Sem ironias, por favor! Falo muito a sério. Então, como eu ia dizendo, depois de a teres convencido de que tinha encontrado o Amor da sua vida, provocaste a ausência do dono desse Amor, provocaste o seu silêncio, como se, simplesmente, se tivesse desvanecido no ar…”
            “Mas foi por uma boa causa! E não foi para sempre!”
            “Não, não foi para sempre. E sim, foi por uma boa causa. Mas, e o sofrimento da perda? E a dor da ausência? E o espanto do silêncio? Mais uma vez te digo: não há aqui julgamento, pelo que não há apelo ao sentimento de culpa – só à compreensão. E também te digo que, dessa vez, esgotei todos os meus argumentos. Esgotei todas as minhas forças. Temi, mesmo, que o sentimento de perda fosse mais forte do que eu. Então, pedi ajuda a um Amor Mais Forte e ao Amor Maior.”
            E continuou:
            “O Amor Mais Forte, ajudado pelo Amor Maior, trouxe-me novos argumentos, aumentou a minha força e o meu entendimento e, pouco a pouco, fui sendo capaz de acender luzinhas de esperança na noite do seu coração…”
            “Ah! Essas luzinhas… eu vi-as!”
            “… fui conseguindo abrir portas à aceitação… fui conseguindo segredar-lhe que eu estava ali, sempre presente, sempre no seu coração, quer a perda fosse permanente, quer não. Pedi ao Tempo um pouco do seu bálsamo curador e derramei-o, delicadamente, nas feridas. Pedi ao Sol um pouco do seu brilho e coloquei-o nos seus olhos. Pedi à Vida as carícias ternas das mãos das crianças e coloquei-as no seu colo. Ajudei-a a construir o suporte onde colocou o sentimento de perda…”
            “As luzinhas… eu vi-as!”
            “Pois viste! Mas ouviste alguma coisa do que tenho estado a dizer?”
            “Sim, sim, mas… as luzi…”
            As vozes doces perderam-se no silêncio dentro de mim. É estranho este silêncio, este sentimento de perda, de vazio… mas logo recordo o diálogo escutado e um sentimento amoroso de compreensão me preenche: as vozes doces acudiram ao meu grito, ao meu pedido de ajuda e, cumprida a sua parte, regressaram ao seu mundo mágico. Compete-me a mim, agora, usar a inteligência do amor para suportar a perda da sua magia.
            No mundo interno de cada ser humano coabitam variadas formas de amor, para além do AMOR. Eu sei – eu ouvi dois deles!
            Em bicos de pés, no cimo do AMOR, eu lanço um apelo a todos vós, companheiros/as da viagem pela Vida:
            - Por favor, oiçam o vosso Amor Inteligente! Ele terá sempre a força necessária para vos ajudar a suportar as perdas do Amor Egoísta!
            “E assim é! Shhh!... EU SOU O AMOR!
 M.Deus