QUANDO A VISÃO INTERIOR DESPERTA, DEIXAS DE NECESSITAR
DOS TEUS OLHOS PARA VISLUMBRARES O QUE JULGAS INTERESSAR
O ser humano dispõe da capacidade de mudar o mundo da forma e torná-lo ainda mais belo: reconstitui rostos desfigurados, restaura corpos mutilados, constrói jóias de arquitectura, desenha jardins de sonho, manipula genes em busca da perfeição…
O mundo da forma é visível, palpável, admirável. Movemo-nos nele, interagimos com ele, amamo-lo e odiamo-lo.
Tudo no mundo da forma nos interessa - gostaríamos de ver tudo de todos os lugares; tocar todas as formas, provar todos os sabores, inalar todos os perfumes; mergulhar nas profundezas dos mares e voar pelos céus nas asas do vento; sondar os mistérios dos desertos e escalar as montanhas geladas.
Tudo no mundo da forma desperta o interesse de alguém, em algum lugar.
Com a inimaginável diversidade de formas, cores, tons, sons, sabores, texturas, espaços e TUDO que o TODO colocou à disposição dos seres humanos, há tanto, tanto para ver, analisar, processar, tantas coisas a despertar a nossa curiosidade, que fomos perdendo o contacto com a nossa visão interior – deixámo-la adormecer; trocámo-la por tudo aquilo que os nossos sentidos físicos nos dizem ser a realidade – a realidade do mundo da forma.
Nestes novos tempos, contudo, algo se agita dentro de nós – e digo “nós” porque tenho vindo a aperceber-me de que a inquietude que me desestabiliza encontra eco (ou é o eco!) na mesma sensação expressa por muitas pessoas com quem falo. Esta agitação, este querer não sei o quê, esta expectativa apenas esboçada, esta espera, esta certeza insegura, este devaneio, fazem-me sentir como se estivesse a abrir a porta de uma sala: lá dentro tudo está escuro… sustenho a respiração, fecho os olhos à espera do clarão das luzes e preparo-me para o grito: “Surpresa!”. Nesta infinidade do tempo da espera, no escuro, de olhos fechados e respiração suspensa, eu “vejo” a cena, antecipo os sons, as reacções.
Esta é uma metáfora da realidade tridimensional em que me movimento, mas é também o exemplo de que não necessito dos meus olhos humanos para “ver” aquilo que desejar ver – posso usar a minha visão interior.
Como é que se faz? É simples… ou talvez não. Vamos ver se consigo expressar-me com clareza: a minha visão interior ficou desfocada por não ter sido usada por tempos e tempos… nem sei por quantos tempos! Depois, a pouco e pouco, comecei a sentir que para lá das formas que os meus sentidos apreendem e os meus olhos fotografam, há algo mais. E questionei-me: “Por que é que fiquei toda arrepiada de repente, se não há aqui correntes de ar? Por que é que sinto este perfume tão suave e doce, se ninguém entrou na sala e eu não uso perfumes? Por que é que o meu cão correu para mim a ganir, todo encolhido, quando o meu filho entrou, acompanhado de um amiguinho que o cão conhece desde sempre e com quem habitualmente brinca? Por que é que entro em determinados locais e fico com dor de cabeça de imediato? Por que é que entro em outros locais e me parece que o sol foi colocado ali, de propósito, para tornar tudo luminoso? Por que é que as minhas plantas reagem à forma carinhosa como as trato e falo com elas cobrindo-se de flores e perfumes? Por que é que pareço atrair as coisas que mais detesto? Por que é que… Por que é que…”
São insignificâncias, dirão. É imaginação, dirão. Será? – pergunto eu.
O facto é que estas “insignificâncias”, ou “coincidências”, ou o que quiserem chamar-lhes, durante muito tempo não despertaram a minha atenção – a minha visão interior, talvez –, passaram completamente ao lado das minhas percepções. Ou seja, a minha visão interior não as conseguia focar, e a minha visão física não as julgava suficientemente importantes para lhes prestar atenção. Mas, como já referi, estes são tempos de “Surpresa!” e aconteceu que a minha visão física começou a achar que talvez valesse a pena lançar um segundo olhar para estas “anomalias”. É claro que nada descobri! Apenas vislumbres inconsequentes.
Então, lembrei-me (!) de ter ouvido falar de algo chamado “visão interior”! Como eu nunca tinha sentido que tivesse tal coisa, fiquei um pouco perplexa: “onde é que eu vou encontrar isso? E, se encontrar, como é que se activa?” Pelo sim, pelo não, comecei a focar a minha atenção, a minha consciência, bem dentro de mim, no meu coração – não o coração físico, esclareço, mas o coração espiritual, o lugar sagrado dentro de mim onde EU SOU. E, pelo sim pelo não - mais sim e menos não -, comecei a pedir ao Universo que me ajudasse a encontrar – e a saber utilizar – a minha visão interior… E não é que deu resultado?!
A princípio de forma hesitante, comecei a tomar consciência de que, quando me acontecia algo que podia considerar “menos comum”, se me centrasse no meu coração e pedisse para “ver” a explicação, ela quase sempre me era dada. Não numa projecção visual, não numa imagem ou frase que possa associar aos sentidos físicos, mas antes como o aflorar de um conhecimento interior, uma certeza imbatível, uma ideia a escorrer da Alma, e não da mente.
A minha visão interior estava a despertar!
Parece um pouco estranho falar de “visão interior” quando digo acima que a explicação “não é uma projecção visual, não é uma imagem”, não parece? Mas não é estranho, se considerarmos que não estamos a interagir com o mundo da forma, mas sim com o mundo da energia.
A visão interior de cada Ser pode, ou não, estar adormecida. Seres humanos há que a têm vigilante e activa durante toda a sua vida, da forma adequada à missão que decidiram vir desempenhar na Terra. Outros há que a rejeitaram, que a rejeitam; outros, ainda, que foram obrigados pela ignorância e pelo medo de familiares, de amigos, ou da sociedade, a escondê-la bem fundo, fora do alcance do mundo e, às vezes, de si próprios. Para a maior parte da Humanidade, contudo, o apelo dos sentidos e o imediatismo da vida levaram a que a visão interior, por não ser invocada, se fizesse menos presente, ou ficasse esquecida.
Reparem que eu digo “menos presente” ou “esquecida”. Não digo “inexistente” ou “ausente”. Portanto, leitor amigo, não me venha dizer que não tem essa tal coisa a que eu chamo visão interior… Já imaginou… a sua Alma sem olhos?
Só para dar uma achega, dir-lhe-ei que há quem lhe chame – à visão interior – intuição, sobredotação, capacidade psíquica, paranormal, dom de adivinhação, dom de profecia, visão sobrenatural… Isto significa que a visão interior pode assumir variadíssimas formas, conforme o que decidiu – e decide – cada Ser humano. Mas está lá sempre, dentro de si, à espera de que se lembre da sua existência e a procure. À espera de que a desperte. Faça-o! Verá que é como despertar a Bela Adormecida e viverem juntos e felizes para sempre!
Que a alegria da “Surpresa!” seja uma constante na sua vida!

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