NÃO TE JULGUES ESPECIAL, NUM “MUNDO” DE SERES ESPECIAIS! (1)
- Não te julgues especial, num "mundo” de seres especiais!
- Por que haveria eu de me considerar especial? - responde o meu Eu, ou seja, a entidade com quem o Ego que há em mim se identifica na perfeição. – Não tenho nenhuma característica que me distinga de milhões de outras pessoas! Não me destaco no meio da multidão pela altura, pela cor do cabelo ou dos olhos, pelo porte, pela figura! Sou mais um na minha família, nem mais nem menos querido, amado ou desejado! Nunca fui distinguido pela crítica literária, pela imprensa! Nunca fui agraciado com nenhum prémio! Não brilho nas artes, nas ciências, na investigação! Faço poesia que ninguém lê! A minha vida é pacata, monótona, cinzenta – tal como eu! Por que haveria de me julgar especial? Há tanta gente importante neste mundo! Tanta gente inteligente! Tanta gente famosa, bela, interessante, influente… Esses, sim, são especiais. Agora eu?! Quem sou eu para ter a pretensão de me considerar especial? E, ainda por cima, num mundo cheio de seres especiais!
- Talvez não seja bem assim… – intervém a voz da minha Alma. – Talvez não seja esse o sentido da advertência… Talvez nem mesmo seja uma advertência…
- Será o quê, então?
- Não sei bem… ainda. Mas vamos descobrir. Eu vejo-te por dentro, vejo a tua essência, vejo que és especial, pois vejo quem tu És na realidade…
- E quem sou eu, na realidade? – a voz do meu Eu tem uns laivos de ironia.
- Para começar, não és quem o teu Ego te quer fazer crer que és! Não és o ser anónimo, pacato, cinzento, com quem o teu Ego se identifica e quer que te identifiques. Ele criou essa imagem, construiu essa identidade, para se tornar real, para ser – existir – na tua mente como a substância de ti. Ao impor-te essa identidade, essa consciência de ti, deu-te um lugar no mundo e criou uma base de sustentação para os teus objectivos, as tuas necessidades, os teus medos; rodeou-te de um campo de energia de carência, de anulação, de auto-comiseração. Quer fazer-te crer que precisas de brilhar em qualquer coisa para seres aceite, que precisas de aprovação e aplauso exteriores para seres feliz, mas que a tua realização pessoal é algo inatingível. O teu Ego diz-te, a todo o momento, que não vale a pena tentares ser especial, porque o que é importante é a tua condição humana sem sobressaltos, sem altos e baixos. O teu Ego diz-te que o oiças a ele e a mais ninguém, pois ele está no comando e sabe o que faz. Mas, sabes, tudo isso é uma verdade enganadora.
- Não estou a perceber (Sou Eu/Consciência humana a falar)!
- O Ego e eu, a Alma, existimos em ti, certo?
- É… penso que sim… ainda que esses conceitos metafísicos me façam uma certa confusão… Bem, eu quero acreditar que é verdade.
- Não são conceitos metafísicos – são factos que garantem a permanência, aqui na Terra, da extensão de ti que agora percepcionas.
- A extensão de mim? Como assim?
- Sim, a extensão de ti, ou seja, a parte do Ser Maior que tu És que neste momento existe na terceira dimensão. Resumindo: a pessoa – ser físico e espiritual – que vês quando te olhas ao espelho.
- Ah! Bom. Percebi… acho que percebi.
- Muito bem. Então, eu e o Ego existimos em ti e, na condição ideal, as nossas energias e influências na tua vida deverão estar em equilíbrio. Isto quer dizer que precisas do teu Ego para a preservação da tua integridade física e mental e para a adequação ao meio humano e social em que te inseres, e precisas da Alma para a preservação da tua integridade emocional e mental e para a adequação ao meio humano e social em que te inseres.
- Não estarás a repetir-te?
- Estou. Mas, é mesmo assim. Ambos partilhamos responsabilidades, como vês, ainda que o que se refere à conservação da vida do corpo pertença ao Ego e o que se refere à conservação da Luz do Espírito me pertença.
- Está-me cá a parecer que nos estamos a desviar do assunto…
- Um pouquinho, talvez, mas só para esclarecer as tuas dúvidas e contextualizar a resposta.
- Agradecido… Mas continuo a querer saber se aquela primeira intervenção é, ou não, uma advertência para mim, algo assim como uma chamada de atenção para impedir que o meu orgulho se manifeste por alguma coisa que eu esteja a dizer, a pensar, ou a fazer. E também quero saber quem sou eu, na realidade.
- Então, podes dizer/escrever Realidade, com R maiúsculo. Na Realidade, tu és uma criação divina. És uma partícula da Luz de Deus. És um Ser que concordou em vencer as barreiras do espaço e do tempo e as contingências da vida na dimensão mais bela da vibração mais baixa da escala vibratória deste Universo – a 3D da Terra –, para poder conduzir até Deus todas as emoções, sensações e experiências que só um ser humano pode vivenciar. A tua essência é Luz e Amor – a mesma essência do Criador!
«Na Realidade, tu és um Anjo, como Anjos são todos os seres humanos neste “mundo”, na Terra – continuou a Alma. – Cada um de vós é único, especial, com propósitos de vida únicos e especiais. Assim sendo, meu Anjo, não tens que te julgar especial – tens que saber que És especial, num mundo em que todos os seres são, também, especiais.
E assim é!

Sem comentários:
Enviar um comentário