A TERRA É UM LABORATÓRIO ONDE AS EXPERIÊNCIAS SE SEGUEM À MEDIDA QUE AS QUESTÕES SÃO COLOCADAS.
Poder-se-ia pensar que, nascendo perfeito, o Ser Humano teria, após o nascimento e por força de qualquer passe de mágica, ou de qualquer cerimónia fantástica, ou por uma decisão de alguém com ele relacionado – ou não – ou, até, por uma decisão de Deus, Ele próprio, teria o Ser Humano, dizia eu, o seu destino mudado por forma a ser quem é - perfeito, na concepção humana - como criança, jovem e adulto. Pois não é nada disso !
Quando o Ser Humano nasce, vem perfeitamente apetrechado para percorrer o caminho que decidiu percorrer na Terra: todas as suas características físicas, mentais, emocionais, psicológicas, ou outras, são adequadas às interacções que precisa desenvolver ao longo da vida; todas as probabilidades apontam para o sucesso da tarefa que escolheu, fosse ela qual fosse. E quando digo “fosse ela qual fosse”, é isso mesmo que quero dizer. E estou mesmo a ver que me vêm falar dos “maus”, dos “tiranos”, dos “loucos”, das “aberrações sexuais”, e por aí adiante… por contraposição aos “bons”, aos “generosos”, aos política e socialmente “correctos”, aos “sábios”, aos “normais”, e por aí adiante. Pois bem, eu volto a insistir na minha primeira afirmação. E passo a defendê-la:
Começo pela pergunta: O que é que o Ser Humano vem fazer à Terra?
Partindo do pressuposto de que o meu leitor é espiritualmente desperto o suficiente para saber que o Ser Humano (ele próprio, também!) é originário das estrelas, das dimensões da Luz, da Mente de Deus, é natural que me responda que vem experienciar a vida na dimensão da matéria, já que como ser espiritual, energético, sem consistência física, o não pode fazer. É possível que me responda que traz a incumbência de ser as mãos e os pés de Deus. É provável, até, que me diga que tem vindo a tentar viver todas as experiências possíveis de serem vividas, a fim de experimentar todos os sentimentos, emoções, situações, acções e pensamentos imagináveis, sem que o fundo do saco das experiências esteja sequer à vista. Numa expectativa mais optimista, a minha leitora também poderá dizer-me que sabe que veio à Terra com um propósito (embora não se lembre de qual!), mas que as contingências da vida provavelmente a irão afastar dele, mas que sabe (mais optimista ainda!) que isso também não é o fim do mundo, pois terá outra, ou outras, oportunidades, todas as que forem necessárias.
Posto isto, e tendo como ponto assente que nenhum Ser desce à Terra por acaso, ou para viver ao acaso, à mercê dos caprichos do destino, dos deuses, ou dos outros seres, vamos em frente…
É difícil caminhar rumo a um objectivo quando esse objectivo teima em se esconder nas brumas do inconsciente: é comparável à sensação de caminhar debaixo de água, esbracejando em direcção a uma praia que sentimos estar por ali algures, mas que, por termos a cabeça mergulhada, não conseguimos ver. Sabemos, no entanto, que há uma praia – as correntes dizem-nos isso; os sons da rebentação que nos chegam aos ouvidos dizem-nos isso; as diferenças de temperatura da água na nossa pele dizem-nos isso… É assim também na vida – há mil e um sinais que nos vão indicando o caminho; sentimentos e sensações são sinalizadores subtis; anseios e esperanças são correntes tácteis que afloram a alma… sinais que só podem ser escutados no silêncio de cada coração… luzes que só podem ser vistas no mais profundo recanto da catedral interior de cada Ser.
Como os ruídos do mundo ensurdecem o coração e as nuvens da ilusão velam a luz da alma, o Ser Humano vai caminhando na vida a passos lentos e medidos, ocasionalmente correndo, frequentemente fazendo grandes paragens, rumo ao seu objectivo escondido… sempre determinado a aproveitar tudo o que encontra pelo caminho… e assim vai seguindo, colhendo experiências como quem colhe flores, colocando questões como quem semeia grãos de trigo… e recolhendo as respostas como quem ceifa espigas maduras. Entre a sementeira e a colheita, quantas transformações!
Parece que me desviei do rumo inicialmente traçado com aquela afirmação arrojada de que o Homem nasce perfeito, não parece? Mas não, não desviei: estou exactamente no ponto onde queria estar – nas transformações.
Quando algo se transforma, transforma-se por acção de um qualquer agente, ou seja: quando queremos resolver uma questão, colocamos em acção uma série de mecanismos que funcionam como reagentes, ou catalisadores, ou indutores, ou inibidores, enfim, que produzam um resultado. Quando queremos chegar a um resultado, utilizamos os produtos necessários a esse fim sem julgar da sua proveniência (bem, não convém generalizar…). O engraçado é que costumamos usar a mesma metodologia na vida, sem de tal nos darmos conta. Assim, para darmos seguimento às nossas experiências, que é como quem diz, às nossas aprendizagens, utilizamos todas as pessoas, coisas ou situações que julgamos adequadas à prossecução do objectivo.
Se o objectivo for, por exemplo, transmutar o preconceito em aceitação do outro através da compreensão e do respeito, o Ser Humano encontrar-se-á, mais tarde ou mais cedo, em qualquer curva do seu caminho de vida, com alguém de quem formou, gratuitamente, juízos de baixo, ou nenhum valor: julgou, rotulou, interiorizou e exteriorizou o seu pensamento sem conhecer o sujeito do seu julgamento, sem saber das suas razões, motivações, plano de vida… E um belo dia, eis que o “destino” lhe coloca uma questão cuja resposta passa pela experiência que lhe dá a oportunidade de enfrentar o seu juízo preconcebido – o seu preconceito – e de começar a entender, ou mesmo compreender de imediato, o outro Ser, seu semelhante.
Mais uma questão que, no laboratório da Terra, conduziu a uma experiência bem sucedida! E então? É só isto? Não, não é. No descritivo da experiência deve figurar, em lugar de destaque, a acção do sujeito “vítima” do preconceito. Sem ele não haveria experiência, nem aprendizagem, nem crescimento. Ele criou a oportunidade, a probabilidade. Assim, fosse ele quem fosse, tivesse os atributos que tivesse, foi o sujeito perfeito para o sucesso da experiência... Como todos os seres são perfeitos como agentes facilitadores da Humanidade, pois cada ser é uma questão viva no laboratório da Terra, onde se investiga a fórmula do AMOR!
Nota: A mensagem de hoje não vai acompanhada da gravura correspondente porque o meu PC diz que a imagem é "muito grande" e recusa-se a reproduzi-la. Enfim... nem tudo é perfeito. As minhas desculpas.
Maria de Deus
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