sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Perdão = Amor


O QUE É O PERDÃO? SABES DEFINIR? CONSEGUES SENTIR? 
PERMITES A SUA VIBRAÇÃO? ENTÃO, POR QUE DIZES QUE PERDOAS?

 «Meu Deus, eu perdoo-Te por tudo o que me tens feito sofrer! E por tudo o que estou sofrendo agora!»
«Meu Deus, eu perdoo-Te por todos os males, dores e perdas com que castigas a Humanidade!»
«Deus, eu perdoo-Te até mesmo por roubares de mim os seres que me são queridos!»
«Deus, eu perdoo-Te, ainda que não me avises dos perigos e não me livres do mal!»
Que sentimento doce, este! Que emoção libertadora, o perdão! Eu posso, eu sou capaz de perdoar Deus! E se sou capaz de perdoar Deus, então eu sou capaz de perdoar toda a Humanidade e todos e cada um dos seus elementos! Eu sou capaz de perdoar o meu próximo! Eu sou capaz de me perdoar!
Antes que abras a boca de espanto e o coração te salte um batimento; antes que atires para longe o livro que assim te fala, como se ele, de repente, tivesse pegado fogo, deixa que te diga que não sou blasfemo, que não sou herege, que não é minha intenção ofender Deus. Até porque, deixa que mais te diga, tentar ofender Deus é exercício vão, pois Deus está acima e para além de qualquer ofensa: não é possível ofender Deus. Não, não é! Acredita! Tal como não é possível entristecer Deus, magoar Deus, irritar Deus, subornar Deus.
Se não há ofensa, para quê o perdão? O que é o perdão? Como se define?
Vamos por partes: não há ofensa porque Deus não possui os atributos dos humanos, não conta com um Ego melindroso e susceptível. Deus É a Consciência Única, o Conhecimento Total, a Sabedoria do Todo, o Amor Incondicional… e muito mais!... e, sendo Tudo, não precisa que nenhum humano lhe diga o que está certo ou o que está errado, o que é bem e o que é mal, o que gosta e o que não gosta, o que aprova, ou o que perdoa. Todo aquele arrazoado do princípio, sobre o que perdoo a Deus, seria ofensivo para qualquer ser humano que se preze de inocente das acusações… agora para Deus?! Nada mais é do que a birra de um bebé de colo, que faz sorrir carinhosamente… direi mesmo, orgulhosamente! Porquê? Porque o bebé reagiu a algo, mostrou que estava a prestar atenção… demonstra preocupação, discordância, mas… entendimento! E aqui está o para quê do perdão! Perdoa-se para demonstrar entendimento, compreensão. Eis o que o perdão é: entendimento, compreensão, aceitação de algo que até pode ser difícil de entender, de compreender, de aceitar, mas que, sendo uma opção que não seria a nossa, reconhecemos ao outro o direito de tomar.
Definir o perdão? Aqui está uma tarefa difícil… quase que me atreveria a dizer impossível! Pois é… acontece que perdoar tanto pode ser uma acção mental, como uma decisão racional, como a manifestação de uma emoção, como, ainda, a representação de um sentimento! E varia de ser para ser, quer em “quantidade”, quer em “qualidade”. Ficar-me-ei, portanto, por uma definição nada comprometedora: o perdão é uma coisa boa!
Atenção! Atenção! Oiço com uma certa frequência a frase: “Perdoar, eu perdoo, mas não esqueço!”… e a vibração que fica no ar está mesmo a dizer “perdoo só da boca para fora, para evitar mais aborrecimentos, mas… na próxima cá te espero!” Por isso, repito: Atenção! O perdão é como o perfume de uma flor: não precisa de ser anunciado, pois é sentido. Derrama-se na alma como a água clara e fresca sobre o deserto da mágoa… e, como no deserto, faz brotar instantaneamente folhas verdes de cura e flores de alegria.
O perdão traz o esquecimento da ofensa. Não o esquecimento racionalizado, consentido; não o esquecimento traumático, enquistado na aura, mas o esquecimento natural, adoçado pela compreensão, esmaecido pela compaixão, lixiviado pelo amor. Quando te permitires transmutar a vibração turbulenta do rancor e esvaziar o peito do licor amargo da auto-compaixão, aí, sim, começas o processo de aceitação da vibração subtil, calmante, suave, amaciadora, curadora, do perdão: o verdadeiro, o da alma!
Por vezes, a vibração é tão intensa, tão libertadora, que o perdão requer a companhia das lágrimas. Deixa que elas corram…o teu ser físico está a libertar toxinas astrais que, retidas, poderiam danificar o tecido de luz da tua alma. Lágrimas não são só água e cloreto de sódio, como diz a canção… lágrimas são, também, excipiente emocional, antibiótico do espírito… agente de drenagem, factor de descompressão.
Vamos, agora, dissecar um paradoxo: se o teu perdão é daqueles que são só da boca para fora, então por que dizes que perdoas? Não estás a perdoar nada! Estás a enganar o outro e a ti próprio. Não há vibração amorosa, não há perfume, não há libertação…
Por outro lado, se a compreensão, a aceitação, a vibração do amor, encheram a tua alma, levando-te a esquecer o motivo do teu sofrimento, então… deixaste de ter motivos para perdoar. Nada mais há para perdoar, pois não? Então, por que dizes que perdoas? Estás a enganar o outro e a ti próprio!
No primeiro caso, o outro percebe a vibração da dúvida, a ameaça velada… e, em qualquer nível do seu Ser, sente desconforto… e fica de pé atrás!
No segundo caso, o outro, embora sentindo a vibração do amor no nível da alma, não apaga completamente o sentimento de culpa do seu registo racional, pois se tu verbalizas o perdão é porque reconheces a ofensa… e, estás a ver, sentimento de culpa arrasta inibição, logo… o outro fica de pé atrás!
O que é que eu aconselho? Ama! Ama incondicionalmente!
Se em ti ainda há mágoa e não sentes o perdão, não digas que perdoas. Não o digas antes de limpares em ti a dor, a mágoa, o azedume, a desconfiança. Isto porque, em última análise - e em primeira, também! -, o outro só te ofende se tu te permitires ser ofendido! Portanto, reconhece o teu poder interior, apercebe-te da tua luz, analisa os comportamentos do outro a essa luz e, depois, envia-lhe o teu amor… ou, melhor, verbaliza-o!
Se o teu coração vibra no ritmo da Criação… se entendeste as motivações, as emoções, o momentuum do outro… se sentes que o que passou, passou, e foi mais uma aprendizagem no teu percurso, então também não precisas de verbalizar o perdão: ele ressaltará do teu olhar, sem ferir; estará no toque das tuas mãos a acariciar; tilintará na tua voz em compassos de epifania. Envia ao outro o teu amor… ou, melhor, verbaliza-o!
Já agora, para que não fiquem mal-entendidos entre nós, e para que não venhas a sentir a necessidade de me pedir perdão por teres feito maus juízos, sempre te vou dizer por que é que comecei com aquela conversa de perdoar Deus.
Então não é voz corrente – voz do povo, que, na crença popular é voz de Deus – que tudo o que acontece ao ser humano é por vontade de Deus? “Deus quis assim…” “Faça-se a vontade do Senhor…” “Seja como Deus quiser…” “O Senhor é Quem sabe…” ”É castigo de Deus…” ”Deus premiou aquele Seu filho…” ”Deus enviou o Seu Único Filho à Terra para que, vendo a Sua paixão e morte, os homens carregassem, também, obedientemente, a sua cruz…” enfim, um nunca acabar de declarações que afirmam estar o dedo de Deus em qualquer coisa que fuja da rotina do ser humano.
Ao mesmo tempo, diz-se que a Terra é um planeta de livre-arbítrio, que os humanos são livres de escolher os seus caminhos e os caminhos da sua alma!
Então, em que é que ficamos? Foi Deus, ou foi o homem, quem “quis assim”? Será que Deus não respeita as Suas próprias Leis?
Estão a ver as incongruências?
Na perfeita consciência da inocência de Deus, permiti-me perdoá-Lo para te mostrar que perdoar é divino… mas é fútil!
Na perfeita consciência da impossibilidade de ofender Deus, permiti-me perdoá-Lo, sem medo de represálias, para te mostrar que perdoar é divino… mas é fútil!
Na perfeita consciência do Amor incondicional de Deus, estou aqui para te dizer que PERDÃO é, simplesmente, mais um sinónimo de AMOR!
Estou aqui porque te amo!
 Amigo Multi

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