NÓS SOMOS AQUILO QUE PENSAMOS,
COM UMA MARGEM DE ERRO DE 100%.
Ah! Se nós pudéssemos colocar um freio na nossa imaginação e domá-la como se doma um cavalo selvagem e rebelde!
Sobre a nossa imaginação cavalgam os pensamentos que a mente liberta, irresponsável e desatenta.
Na mente, os pensamentos são gerados, desenvolvem-se instantaneamente, autonomizam-se e… aí vão eles, a caminho da consciência, da teia criadora da imaginação, da modulação sonora, do mundo misterioso do inconsciente e… do éter, por onde viajam até encontrarem outros pensamentos que vibrem na mesma onda energética, aos quais se imantam, ampliando-os, reforçando-os.
Na linha quebrada dos pensamentos, eles deslizam, sobem, descem, retrocedem, emaranham-se, enlaçam-se e entrelaçam-se num continuum temporal de que, na maior parte do tempo, não temos percepção consciente.
O pensamento não dá descanso à mente. O ser sábio aprendeu a vigiar os seus pensamentos, a olhá-los como espectador e a seleccionar aqueles que quer abrigar em si, desenvolver, analisar, aproveitar… o ser sábio controla a sua mente pensadora e liberta-se do lixo energético de pensamentos indesejáveis e indesejados, perturbadores, enganosos, deprimentes e, de forma geral, de todos aqueles que o fazem sentir-se menos bem.
Particularizando: vamos falar da forma como os nossos pensamentos afectam o conceito que temos de nós próprios.
Por que é que vos dizemos acima que “nós somos aquilo que pensamos”? Em primeiro lugar, porque temos uma visão limitada de nós, tanto no aspecto físico quanto no intelectual, moral e espiritual, o que nos força a criar na mente uma imagem completa que se ajuste aos nossos ideais. Assim, pensamos em nós como seres elegantes, bem proporcionados; pessoas com princípios morais, educadas, gentis; seres no caminho da espiritualidade, cumpridoras dos princípios religiosos em que fomos educados… e por aí fora. Ou, então, pensamos em nós como aqueles monstrozinhos que nos fizeram crer que éramos de tanto nos repetirem “engordaste, não engordaste?”, ou “já te expliquei uma porção de vezes, és mesmo burro”, ou “outra vez? Não serves mesmo para nada…”, ou “isso de espiritualidade e religião é para os fracos de pensamento, ou para os aproveitadores”.
Em segundo lugar, somos aquilo que pensamos, sejam quais forem os nossos pensamentos, porque estes afectam a nossa personalidade, a nossa forma de estar na vida, a nossa socialização, o nosso desenvolvimento a todos os níveis. Os nossos pensamentos plasmam a matriz das nossas acções, da nossa linguagem, da imagem que projectamos para o exterior.
Em terceiro lugar, somos aquilo que pensamos porque, intuitivamente, sabemos que SOMOS algo, embora não consigamos concretizar o que é esse “algo”. Dada a impossibilidade de racionalizarmos o que, ou quem somos de verdade, e porque precisamos desse conhecimento, aceitamos como real a imagem de nós que os nossos pensamentos nos dão.
Sábio é o Ser – e feliz, também! – que afirma, de forma consciente “EU SOU!” Quem atingiu esse patamar já se libertou, ou está a ponto de se libertar, da falsa imagem de si criada pelos pensamentos. O Ser que sabe que É aceita-se e reconhece-se como QUEM É, com todos os valores que isso implica: deixa de estar sujeito à valorização vinda da sua mente e, melhor ainda, à valorização/desvalorização vindas do exterior.
E por que é que se diz que nós somos aquilo que pensamos… com uma margem de erro de 100%? Aqui é que as coisas se complicam – então somos, ou não somos aquilo que pensamos? Creio que, aqui, temos que recorrer a situações concretas, alguns exemplos da vida real que nos levem a perceber um pouco melhor. Vejamos, então:
“Eu penso que sou uma pessoa amável, sensata, cordata, educada… tenho estudos e sei comportar-me em sociedade, além de que prezo muito o respeito – por mim própria e pelos outros. Eu sou uma pessoa “fina”. Isto, até ao momento em que me sento ao volante do meu carro e sou ultrapassada de forma irregular por qualquer rapazola insensato e zombeteiro; ou fico retida num engarrafamento justamente quando tinha hora marcada no cabeleireiro; ou quando me buzinam insistentemente atrás para me avisar de que a porta está mal fechada (e que eu interpreto erradamente como sendo para me desviar); ou quando fico bloqueada no estacionamento… aí, tudo aquilo que eu pensava que era vai por água abaixo! Não sei se me entendem…”.
“Eu penso que sou uma pessoa com um aspecto físico impecável para a minha idade: faço ginástica, natação, jogging; alimento-me de forma saudável, não ingiro bebidas alcoólicas ou gasosas, não fumo… até tenho um bonito palma de cara…, enfim, estou fisicamente O.K. Isto é o que eu penso… até ao momento em que encontro aquela colega do liceu que já não via há muitos anos e que mal reconheço. Ela – a tal colega – pelo contrário, parece reconhecer-me logo, mas de uma forma dúbia, pois dispara: ‘Olá, mas que surpresa! Mal te reconheci… engordaste tanto! Que linda rapariguinha… é tua neta? ‘ Não, não é a minha neta, é a minha filha mais nova, e eu deixo de ser, naquele instante, a pessoa feliz e despreocupada que tinha saído de casa para ir deliciar-se com um gelado. Claro que já não fui!”.
“Eu penso que sou uma pessoa inteligente… até ao momento em que sou confrontada com o leitor/gravador/vídeo/CD/DVD com que o meu marido me presenteou…”.
“Eu penso que sou uma pessoa moderna, actual, de ideias ‘para a frente’… até ao momento em que a minha filha de 16 anos me pede para passar o final do ano com amigos e amigas numa vivenda que pretendem alugar para o efeito!”
“Eu penso que sou uma pessoa de coração aberto, compassiva e amorosa. Penso que já integrei a verdade de que ‘todos somos um’ e que ‘cada outro Ser é um nosso irmão a quem devemos amar como a nós próprios’. Eu penso que estou a subir a escada da ascensão espiritual. Então, a campainha da minha porta toca dia sim, dia não, dia sim, dia sim, às horas mais diversas, e a mesma mulher, com as mesmas crianças, vêm lamuriar a sua pobreza. Semana após semana, inabalavelmente. Há dias em que eu saio dos eixos, esqueço quem eu penso que sou, esqueço a espiritualidade, e sou somente uma pessoa irritada, frustrada, incomodada, azeda, que atira meia dúzia de palavras sonoras através da porta fechada e volta aos seus afazeres”.
E por aí fora… e por aí fora…
Vou dizer-vos ainda outra coisa, mas esta é uma ideia minha: eu penso que mesmo os Seres que atingiram aqui na Terra o conhecimento de QUEM SÃO estão também, ainda, na fase de pensarem que SÃO. Sim, porque eu penso que a realidade do EU SOU, nas dimensões espirituais, é tão esplendorosamente grandiosa que não é possível apreendê-la por inteiro aqui na 3D… ou será?
Estão a ver a ideia? Apercebem-se da margem de erro?

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