sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Ser Divino e Ser Humano

EU ESTOU NESTA VIDA PARA CONHECER E EXPERIENCIAR
O MEU CRESCIMENTO

Era uma vez uma estrelinha – a Estrelinha – que vivia num mundo de luz, paz, amor, serenidade e alegria. No seu mundo não havia noite – era sempre dia. A estrelinha era curiosa, irrequieta, ansiosa, ávida de conhecimento. Perguntava, inquiria, questionava, retorquia… e curiosa?! Ah! Como ela era curiosa! Já se tinha apercebido de que, se olhasse para aquela linda esfera branca, azul e verde que girava no terceiro lugar à volta do sol, em determinados momentos veria a esfera escura, pontilhada de minúsculos raiozinhos luminosos… e achava divertido. Divertido, curioso, mas, acima de tudo, intrigante: como poderia escurecer algo tão luminoso, tão belo? E, ainda por cima, voltar a ficar luminoso e belo outra vez, uma e outra vez, uma e outra vez? No seu mundo nada ficava escuro, tudo era sempre luminoso!
Como era curiosa, atrevida e inocente, a estrelinha pôs as suas dúvidas a Deus. Com a ternura infinita e a infinita paciência de Pai, Deus respondeu:
- Minha querida Estrelinha, a linda esfera que tanto te intriga é a Terra, o mais maravilhoso planeta do sistema solar. É um lugar de experiências e de conhecimento, de vivências múltiplas e de crescimento; é um lugar de dor e de exaltação, de luz e de sombra, de tristezas e de alegrias, de descobertas e de reflexão. Vivem na Terra anjos e estrelas, mestres e sábios, construtores de mundos e de universos, génios do conhecimento e pilares do Amor… mas pouquíssimos recordam quem são.
- Como pode ser isso? Como se pode esquecer quem se é?
- Estrelinha, estrelinha linda, és muito jovem e sempre tiveste consciência da tua luz, desde o momento da tua criação. Sempre foste, és e serás luz, e sabes isso. Não sabes o que é o crescimento, o que significa procurar a luz dentro de ti, cuidá-la, alimentá-la, expandi-la… sabes que és uma estrela e tudo à tua volta valida esse conhecimento.
- Mas por que é que as estrelas na Terra…
- Calma, calma, já lá vamos! Os seres que agora habitam na Terra tiveram um dia as mesmas dúvidas que te perturbam; ou começaram a sentir a urgência de aumentarem a sua luz, o seu conhecimento, o seu amor; ou decidiram adquirir novas competências, outros valores; ou decidiram rever velhos afectos… enfim, milhares de razões e motivações fazem com que os seres luminosos queiram descer à Terra e nela viverem novas experiências. Ora, descer à Terra, implica descer nas dimensões, o que significa entrar em vibrações cada vez mais lentas, em atmosferas cada vez mais densas. A cada desaceleração vibracional, a cada novo aumento de densidade, a luz dos seres luminosos vai-se retraindo, recolhendo-se ao seu âmago. A luz leva consigo a memória e as competências divinas do Ser, as quais ficam aprisionadas na sua essência. Quando o Ser de Luz adquire também o estatuto de Ser Humano, a sua memória divina fica fora do seu alcance. Mas, tem calma, não desaparece! O ser Humano/Divino será sempre guiado pela luz dentro de si, e o conhecimento contido nessa luz permitir-lhe-á seguir os caminhos que escolheu nos mundos de onde veio.
- Mas, Deus, isso é maravilhoso!
- Nem sempre, Estrelinha, nem sempre…
- Porquê “nem sempre”?
- Bem, porque o ser humano, muitas vezes, não dá ouvidos à voz dentro de si. O ser humano não aceita a sua divindade – tem medo dela – e recusa assumir a sua condição de anjo, ou de estrela, pois não se julga merecedor. O ser humano chega, até, ao ponto de se julgar separado de Mim…
- Mas, Deus, isso não é possível!
- Pois não, Estrelinha, pois não, mas alguns seres humanos afirmam que Eu existo algures no Universo, longe do seu alcance e – imagina! - que Eu castigo e premeio, e Me ofendo, e Me vingo! Dizem que Eu escolho os Meus Filhos pelo local onde nasceram, pela igreja que frequentam, ou pela cor da pele, ou pelas cerimónias que praticam, ou por outras razões igualmente descabidas. Tentam fechar-Me nos seus locais de culto e ter o exclusivo da Minha Presença!
- Oh! Deus! Oh! Deus, Tu não mereces isso!
- Estrelinha, Estrelinha, isso não pode ofender-Me, ou tocar-Me, ou forçar-Me a fazer juízos! EU SOU TUDO O QUE É e Sou também os Meus Filhos que assim pensam e agem. Como poderia, pois, ofender-Me Comigo Mesmo? São os Meus Filhos, os Anjos e Estrelas do Meu Reino, ainda crianças, a conhecer e experienciar o seu crescimento.
- A conhecer? A experienciar? Crescimento? Explica, por favor. Não estou a entender.
- Como te disse, Estrelinha, o ser divino, luminoso, ao entrar na atmosfera da Terra, perde a consciência de Quem É. Ganha um corpo denso, material, que lhe permite deslocar-se no planeta e aprender, por ciclos, as competências de um ser humano. Aprende a caminhar, a comunicar, a ser autónomo, a integrar-se numa família, numa sociedade… aprende regras, normas, leis… busca o sustento do corpo e do espírito… cultiva-se… adquire competências e valores… a isto chama-se crescimento. Os passos dados em cada uma destas etapas formam a experiência, e a consciência dessa experiência é o conhecimento.
- E depois, e depois?
- Bem, nem sempre tudo é assim tão simples, tão linear. Nem sempre as etapas se sucedem na progressão ideal… nem sempre o ser humano escuta o seu ser divino… e raramente o projecto inicial, o que motivou a descida à Terra, é desenvolvido e completado nas vidas para o efeito programadas…
- Hei, espera lá… vidas?!
- Sim, vidas. A cada período de tempo – não interrompas: mais tarde explico o que é tempo – como Eu dizia, a cada período de permanência na Terra chama-se uma vida. Em cada vida, o ser humano repete os processos de crescimento físico e social, isto é, de interacção com o meio em que decidiu nascer e com as pessoas que decidiu (e que concordaram com a decisão!) que iriam ter um papel na sua vida, tendo em vista o seu projecto para essa vida. Mas, paralelamente ao crescimento físico, e para além dele, o ser humano desenvolve processos de crescimento espiritual e de re-conhecimento da sua essência divina…
- Ou seja, o ser humano procura recordar que é um anjo, ou uma estrela, ou um ser de luz.
- Mais ou menos isso. A consciência da maior parte dos humanos não aceita a sua condição primordial de Ser de Luz, seja qual for a categoria. No entanto, em algum lugar dentro de si há uma ânsia, uma necessidade, uma falta de algo que ele não sabe definir. Na fonte do seu sentimento tudo clama por um aconchego a que ele receia – e anseia – chamar Amor; na fonte da sua razão, algo lhe diz que a vida não se resume àquilo que ele pode ver, fazer, tocar, aprender; a sua imaginação eleva-se, solta e veloz, na procura de algo a que ele chama felicidade.
- Felicidade?! O que é felicidade?
- É algo que os humanos procuram sem cessar. Algo atrás de que correm, na tentativa de se sentirem bem, perfeitos, realizados, completos, em paz, na abundância… é algo que procuram, procuram e, quando encontram, raramente reconhecem… e continuam a procurar.
- Ainda não entendi. O que é felicidade?
- Felicidade é um estado de ser. É o estado em que tu, Estrelinha, vives – o estado em que se desenrola a tua existência. É o estado que É, ou que se alcança quando se conhece, ou se re-conhece, a Minha Presença e o Meu Amor.
- Mas, de que outra forma se pode existir?!
- Bem, a maior parte dos seres humanos existe na falsa ignorância de Mim…
- Porquê?
- Para poderem experienciar o seu crescimento e a verdade de Quem, realmente, São.
- E depois de saberem isso?
- Bem, quando atingem o conhecimento de Quem São, estão preparados para experimentar a união Comigo e com toda a Minha Criação. Aí, então, podem decidir permanecer na felicidade da Minha Presença e do Meu Amor, ou podem decidir viver novas experiências – crescer mais, experienciando-se de outras formas, conhecendo-se mais profundamente.
- Meu Deus, isso parece muito interessante! - A estrelinha franziu o seu sobrolho de luz, fez um ar pensativo, e Deus até podia ver os seus pensamentos a correrem uns atrás dos outros. – Então, de tudo o que me disseste, posso concluir que eu não sei como é adquirir a luz, pois sempre fui luz! Não tenho experiência de crescer, pois sempre fui como sou! Não sei o que significa crescer, pois sempre fui Quem Sou!
- Bem, postas as coisas nesses termos…
- Queres dizer que, se eu conhecer e experienciar o meu crescimento, posso ter consciência do meu estado de felicidade e crescer ainda mais, tornar-me mais luminosa, mais sábia, capaz de decidir Quem Quero Ser?
- É isso mesmo, Estrelinha! Captaste a essência…
- Eu posso fazer isso? – interrompeu a estrelinha. – Posso fazer tudo isso indo para aquela esfera linda e misteriosa a que chamaste Terra?
- Se assim o decidires… – A voz de Deus era bálsamo perfumado, e se Deus quisesse manifestar emoções, a estrelinha poderia ter sentido naquela voz o orgulho do pai que vê o filho abrir as asas e voar do ninho pela primeira vez; poderia sentir a compaixão de quem antecipa dificuldades e solidão; poderia sentir o Amor Incondicional face a qualquer decisão que viesse a ser tomada.
- Se eu decidir descer à Terra, estarás sempre comigo? Não perderei a minha luz em nenhum momento? – A estrelinha estava a recordar-se da sua visão da Terra escurecida… – É que a Terra ora é luminosa, bela e brilhante, ora fica escura, com minúsculos pontos de luz espalhados aqui e ali…
- Ah! Isso tem a ver com o dia e a noite! Ah! Ah! Calma! – disse Deus, ao ver que a estrelinha se preparava para questionar. – Já sei que queres saber o que é dia e o que é noite, mas essa explicação fica para quando te falar de tempo.
- Sim. Obrigada. Acho que está bem… – respondeu a estrelinha, com um ar um pouco ausente. – Não respondeste à minha pergunta…
- Vou responder, minha estrelinha, vou responder… – disse Deus, derramando sobre ela a Sua ternura de Pai Amoroso. – Nunca poderia deixar de estar contigo, pois EU SOU TUDO O QUE É. Assim sendo, Sou Tu também. Sou a Tua Essência, Sou a Tua Luz. Eu não deixo nunca de ser Tudo O Que É, portanto, se Eu não deixo de Ser, a tua Luz, que Sou Eu, não pode deixar de Ser, de Existir… Poderá ficar escondida num recanto de ti, guardada bem no âmago do teu Ser, mas estará lá, sempre pronta a brilhar quando a invocares. Tal como Eu! Sempre estarei em ti, mas só Me perceberás quando a isso te decidires.
Houve um silêncio. Deus aguardou, em expectativa risonha! A estrelinha fechou os olhos de luz, pareceu recolher-se em si mesma, mas – fenómeno curioso – quanto mais profundo era o seu recolhimento, mais luminosa, maior, se tornava. Por fim, com um suspiro que fez vibrar o ar do Universo e tilintar campainhas no cosmos, a estrelinha falou:
- Deus, meu Pai Amoroso, ensina-me e ajuda-me a preparar para descer à Terra. Agora que Te ouvi, não quero mais ficar parada nesta luminosa beatitude para sempre. Quero descer à Terra e viver a vida de um ser humano. E quando for um humano, quero poder dizer aos meus irmãos terrenos “Eu estou nesta vida para conhecer e experienciar o meu crescimento.
Amigos Multi


Sem comentários: