“QUEM SEMEIA VENTOS, COLHE TEMPESTADES”… MAS,
SE NÃO SEMEARES AMOR, COLHERÁS TEMPESTADES ASTRAIS.
- É verdade! Li e reli, pensei e tornei a pensar… e nada. Não sei mesmo o que pretende dizer quem isto disse. A primeira parte, eu já tinha ouvido, embora nunca tenha pensado no significado, mas a segunda… confuso, não é? Confesso que não entendo mesmo nada.
- Então, vamos lá analisar: “Quem semeia ventos, colhe tempestades” é um ditado popular muito antigo, e tu sabes que “a voz do povo é a voz de Deus”, o que quer dizer que a voz do povo, ou seja, aquilo que o povo transmite de geração em geração, a sabedoria contida nos ditados populares, tem sempre um fundo de verdade.
- Mas, às vezes, não fazem lá muito sentido, pois não? Semear ventos… quem faria uma coisa dessas? Até porque é impossível.
- Mas tu também sabes que as verdades de todos os tempos, as verdades imutáveis – como, por exemplo, as contidas na Bíblia – são, na maior parte das vezes, transmitidas através de parábolas, através de linguagem simbólica.
- Pois é, e também não percebo porquê. Quanto a mim, deveriam ser: pão, pão, queijo, queijo. Assim, toda a gente sabia logo o que queriam dizer.
- Olha que não é bem assim! Ao longo dos tempos – e refiro-me a séculos, a milénios – as linguagens mudam, os significados das palavras podem sofrer alterações… a grafia também. Se a linguagem for simbólica, os povos de todas as terras, em todas as eras – em todos os tempos – adaptam a simbologia ao seu entendimento, ao seu estado de compreensão e de consciência. Melhor, melhor ainda: sentem a energia da verdade contida em cada frase simbólica e descodificam-na de acordo com o seu entendimento. É por isso que determinadas informações, determinadas sentenças – ou máximas, ou ditados – têm vindo a ser interpretadas de formas diferentes em diferentes tempos, mas sempre contendo a verdade necessária no momento.
- Certo! Isso, eu posso compreender.
- Voltemos, então, ao ditado popular – “semear ventos” significa espalhar discórdia, desentendimento, malquerença, perturbação, dúvida, calúnia, mexericos, enfim, coisas menos boas para o bom entendimento entre todos os seres. O que é que se pode esperar quando se espalha alguma, ou algumas – ou mesmo todas – estas formas de não-amor?
- Ora, o que havia de ser? Volta-se tudo contra quem espalha, é claro!
- Sim, tens razão! Tudo volta à origem, como o boomerang, que volta sempre para quem o atira. Só com uma diferença: é que o boomerang volta sozinho, enquanto que as coisas menos boas que se espalham vão recolhendo no caminho a energia de todas as coisas menos boas suas semelhantes que encontrarem, voltando, portanto, a quem as propagou, muito ampliadas, mais poderosas, mais pesadas, mais vastas, mais violentas, se assim se pode dizer.
- Estou a ver! Se eu provocar uma discussão, estou a semear vento… esse vento vai abanar a pessoa com quem me apeteceu discutir, vai sacudir a sua paciência, vai soprar em todos os motivos que tenha – ou não tenha – para discutir de volta, e…o vento que eu semeei junta-se a todo o vento – a todos os ventos – que provoquei, e pronto: está armada a confusão, ou seja, a tempestade!
- Nem mais! Semeaste vento… colheste tempestade!
- Bem, esta parte é fácil. Agora o resto…
- Sim…a segunda parte da máxima não é de fácil compreensão. Contudo, a dificuldade é só aparente, como vais ver.
«O cerne da questão está sempre na sementeira. Diz aqui que “se não semeares Amor, colherás tempestades astrais”. Logo, como ninguém está, certamente, interessado numa colheita tempestuosa, a opção lógica é a sementeira do Amor. Semeia, pois, o Amor ao longo da tua vida, em cada dia da tua existência. Semeia Amor em cada circunstância, em cada acção, em cada pensamento, em cada relacionamento. Semeia Amor no coração de cada Ser teu irmão, na existência de cada Ser da Criação.»
- Como é que eu faço isso?
- É fácil! Respeita-te a ti e a todos os outros. Não faças aos outros o que não gostarias que te fizessem a ti. Vive pelo coração, repartindo as dádivas divinas. Respeita a Terra, as águas, os animais, o reino vegetal e o reino mineral. (Não esqueças: a Terra é um ser vivo, um gigantesco organismo-hospedeiro que te sustenta e abriga desde que resolveste fazer dela o teu lar temporário). Reconhece, em cada ser da Criação, a mesma origem divina que dá alento ao teu Ser. Vive na alegria e na liberdade: liberta-te e liberta. (Não esqueças: tens o usufruto de tudo, e não és dono de nada!) Ama o Ser que És, ama o corpo que o teu Ser decidiu usar aqui na Terra. Ama a Deus, presente em cada partícula do Universo.
- Mas isso é uma tarefa gigantesca! Nem em dez vidas eu vou conseguir ser, e fazer, tudo isso!
- Não te assustes. Não é nada difícil, nem gigantesco. Nestas coisas de mudanças de atitude, de comportamentos, a única coisa difícil é a tomada de decisão. Uma vez decidida, com a pura intenção de seres, aqui na Terra, aquilo que na verdade és na tua essência, ou seja, um Ser de Amor, tudo parece acontecer como que por magia: uma decisão boa leva a outra decisão boa; uma alegria leva a outra ainda maior; um mau pensamento eliminado mostra um sentimento de paz; uma palavra amiga conduz ao reconhecimento, à gratidão; um sorriso faz brilhar o Sol no mais escuro horizonte…tudo fica mais fácil a cada nova descoberta das inumeráveis facetas do Amor! Chegará o momento em que te darás conta de que o teu dia é uma jornada contínua de sementeira de Amor…
- E se eu não for capaz? É que… sabes, eu ainda não consigo viver dessa maneira ideal! E as pessoas à minha volta também não ajudam…
- Quanto às pessoas à tua volta, elas só reflectem aquilo que tu mesma projectas. Cada Ser com quem te cruzas, ou com quem convives, é como um espelho que te mostra algo de que não gostas em ti, ou que precisa de ser alterado na tua vida. Assim, se as pessoas têm comportamentos, palavras ou obras de que não gostas, analisa-te e vê se não tens exactamente os mesmos comportamento, palavras ou obras. E, em seguida, muda! Verás que, quando mudares, os outros mudarão também.
- Ah! Agora estás a brincar!
- Não, não estou. Falo muito a sério! É uma grande verdade, esta. De resto, podes fazer a experiência e comprovar por ti mesma.
- Se tu o dizes…
- Quanto a não seres capaz, é só uma questão de decisão, como creio que já referi há momentos. Quando te decidires, com a pura intenção…
- Já sei, já sei. Já o disseste!
… de seres aqui na Terra aquilo que na verdade És, um Ser de Amor, os Anjos que te acompanham sempre e que só esperam que lhes dês uma oportunidade de te ajudarem, fá-lo-ão.
- Mas, supondo que, mesmo assim, eu não consigo, ou não tenho vontade de mudar, ou acho que não vale a pena, porque as pessoas não valorizam o ser-se bom e amoroso… enfim, supondo que eu não semeio Amor – o que é que me acontece?
- Ao não semeares Amor, minha querida, estás a criar à tua volta um vazio dessa energia que movimenta os Universos. Digamos que crias à tua volta um centro de baixa pressão e, assim sendo, o que é que acontece? Acontece que os ventos do Universo têm tendência a se deslocarem para esses vazios, a fim de os preencherem. Como os ventos podem ser muitos, e desencontrados – dependendo do que semeias em vez do Amor –, facilmente te verás no meio do tumulto ventoso – da tempestade!
- E isso quer dizer… ?
- Quer dizer que, ao deixares de irradiar a energia do Amor, também não estás preparada para receber Amor, pois a tua energia irradiada é dissonante, de fraca vibração e “rejeita” a energia harmoniosa e de vibração elevada que transporta Amor. Se estiveres sempre maldisposta e zangada, atrairás para a tua vida pessoas maldispostas e zangadas, enquanto que as pessoas bem-dispostas e felizes se afastarão de ti. Ou seja, estás a criar um ambiente propício à deflagração de uma tempestade magnética, uma tempestade astral. Uma tempestade formada pelas descargas de energias em desarmonia significa discussões, mal-entendidos, palavras amargas, enfim, algo que não interessa trazer para a tua vida, ou para a vida de qualquer ser humano.
- Ainda não entendi essa questão do “astral”…
- O astral é uma zona, ou, melhor dizendo, uma dimensão intermédia entre o mundo físico e o mundo espiritual. É uma dimensão de energias não luminosas e que vibram muito próximo das energias da 3.ª dimensão. Aqui, no astral, movimentam-se as formas-pensamento que os humanos criam com a sua mente e a sua imaginação e que não são amorosas ou luminosas. Também aqui existem e deambulam por tempo variável as almas dos humanos que se esqueceram, ou não acreditaram – ou não quiseram acreditar – que são, também, seres divinos. Assim, ao perderem o corpo físico, não sabem para onde ir ou o que fazer.
- Por favor, por favor, não fales nisso que me metes medo!
- Muito bem. Se preferes ficar na ignorância…
- Hoje não, por favor! É muita informação para um dia só, e eu preciso de pensar numa coisa de cada vez. Por isso, quero só saber o que é que tem o astral a ver com as tempestades que eu crio se não semear Amor.
- Está bem. Voltemos ao assunto. Quando te colocas na vida numa postura não amorosa, irradias energias não amorosas… certo?
- Sim. Posso entender isso.
- E, quando irradias essas energias, sintonizas-te, por efeito das leis da atracção e da sintonia vibratória, com todas as energias que vibram na mesma frequência. Certo?
- Mais uma vez, certo. Também já consigo entender essa mecânica.
- Muito bem! Onde é que, de uma maneira geral, se acumulam as energias que não vibram na frequência do Amor e que são resultantes de sentimentos, pensamentos, acções e reacções que os humanos manifestam – ou não – ao longo das suas existências?
- Bem, elas dirigem-se aos outros… agrupam-se com as que lhe são semelhantes… voltam a quem as emitiu… há mais alguma coisa?
- Há, sim! Todos os humanos têm um limite, uma capacidade de receber energias que, excedida, provoca graves danos físicos e mentais. Assim, possuem também mecanismos de defesa, os quais, de uma forma extremamente simplificada, direi que lhe permitem “esquecer” as energias que emitem e “ignorar” as que lhes são dirigidas, ou que vêm por retorno. Como a energia não se dissipa – mas pode transmutar-se! -, toda a que é esquecida ou ignorada se acumula no astral, pronta a ser recuperada e reutilizada por quem com ela se sintonize.
«Imagina, agora, um imenso espaço repleto de uma ainda maior quantidade de energias e formas-pensamento dissonantes, de sentimentos (uma forma de energia) contraditórios e confusos; de emoções (mais energia!) desequilibradas; de energia de palavras duras como pedras; de energia de olhares que cortam como espadas… e por aí fora! É como uma imensa sala cheia de gatos assanhados: cada um sopra para o seu lado e cada um arranha onde pode. Resultado: tempestade!
«Dada a proximidade vibratória das duas dimensões – a física e a astral – a Terra e os seres físicos que a povoam são, em graus e formas diferentes, afectados pelas tempestades geradas no astral.
- De que maneira?
- Há muitas maneiras. Talvez te fale disso mais tarde. Por agora, o importante é que retenhas a importância de viver de forma a não contribuíres, nem com a mais ligeira aragem de vento, para as tempestades do astral.
- Mas…
- Deixa-me só acrescentar mais uma coisa: não penses que as tuas eventuais “ligeiras brisas” não irão fazer diferença, que serão como uma gota de água no oceano! Poderão ser, sim, como uma gota de água, mas que terão importância, ah! sim! terão! Tudo o que cada um de nós fizer afecta o Todo… tal como a vibração do ar causada pelo bater das asas de uma borboleta na Europa pode provocar um ciclone no Japão (como referiu um vosso célebre cientista). Todos somos UM, e todos estamos interligados, constituindo o Todo.
«Contribui, pois, minha amiga, com a tua sementeira de Amor… ele crescerá e frutificará – mil grãos por cada grão semeado – derramando-se sobre a Terra, sobre o astral e, essencialmente, sobre ti própria.
«Querias perguntar alguma coisa?
- Sim, mas já respondeste. Agradeço-te, Amigo, mais esta contribuição para o meu crescimento em sabedoria. O meu coração continua aberto para te receber. Volta sempre que quiseres.
- Eu estou sempre contigo!

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