terça-feira, 15 de novembro de 2011


SORRI EM CADA MOMENTO! SORRI A QUEM ESTÁ AO TEU LADO!
SORRI PARA AQUELES POR QUEM PASSARES,
POIS O AGORA DEFINE O TEU “DEPOIS DO AGORA
  
- Luzinha, conta uma história, conta! Não tenho sono…
- Minha pequenina, são horas de dormir… e a mamã já te contou uma história.
- Ah! Mas as histórias que a mamã conta são aquelas dos livros, que eu já sei de cor. As tuas histórias são mais bonitas, e contas sempre uma nova, que eu nunca ouvi antes. Vá lá! Conta!
O Anjo da Guarda da menina aconchegada na sua cama quentinha emitiu mais luz, irradiou mais amor, aconchegou de novo a roupa da pequerrucha… e como que se sentou na beira da cama… (Como é que se pode “sentar” um ser de luz, que é só luz?!) O ar ficou mais doce e perfumado e o Anjo começou a falar com a voz que só a criança ouvia.
- Está bem. Eu conto uma história. E tu vais ficar muito quietinha, de olhos fechados…
- Mas eu não tenho sono! E gostava de ouvir a história!
- E vais ouvir, minha querida, vais ouvir. Peço-te para fechares os olhos para mais facilmente poderes “ver” tudo o que eu vou contar.
- Com os olhos fechados? Com os olhos fechados, eu não vejo!
- Vais ver de outra forma! Com os olhos abertos, distrais-te a olhar à tua volta para os brinquedos e para os posters e fotografias e não prestas atenção ao que eu estou a dizer. Se fechares os olhos, podes imaginar cada personagem da história, cada cor, cada som… podes imaginar que estás dentro da história!
- Parece bom…
- E é, vais ver.
- Pronto, já fechei os olhos…
- Muito bem. Então vamos à história: “Era uma vez um cometa…
- Como aquele dos desenhos animados?
- Sim, como esse, mas mais brilhante, com uma cabeleira mais dourada e uma cauda mais luminosa. Este cometa era belo e gostava muito de viajar. Como não gostava de viajar sozinho, até porque se dirigia para uma parte do Universo que ainda não conhecia, pediu a Deus uma companhia. Deus pensou um pouco, verificou quem é que estava livre para fazer companhia ao cometa e viu que, naquela altura, só havia uma fada dos astros disponível…
- O que são astros?
- São todas aquelas luzinhas que vês no céu a brilhar, à noite…
- Então tu és astro?
- Não, meu amor. Aqui chamam-me Anjo – Anjo da Guarda. Os Anjos podem descer à Terra e cuidar das crianças e dos adultos. Os astros estão sempre lá em cima, no céu. Uns são estrelas, outros planetas, outros cometas…
- Sim, e a fada?
- Esta fada tinha a tarefa de cuidar das estrelas, dos planetas ou dos cometas que dela precisassem. Sabia como embelezar os astros onde poisava; levava alegria e música; cuidava das flores; fazia magia; dançava… era uma boa companheira para o cometa solitário, assim decidiu Deus. Depois de decidir, Deus enviou uma mensagem-pensamento à fada a informá-la da sua nova tarefa. Assim que recebeu a mensagem, a fada…
- Como é que ela se chama?
- … a fada Alegria foi a voar no rasto do cometa Rezingão até que o encontrou. Acertou as suas asinhas para voarem à mesma velocidade a que se deslocava o cometa – só para o caso de querer mesmo voar, pois agora estava poisada sobre ele e viajava com ele - como a joaninha que viajou poisada na tua mão quando hoje correste e brincaste no jardim – e lá seguiram viagem, os dois, pelos céus fora.
A fada Alegria gostava muito de rir e falar, mas o cometa Rezingão ia muito calado. - “Estás tão silencioso… estás aborrecido? – perguntou a Alegria. O Rezingão respondeu: - “Estou. Não gosto do dia. Só gosto da noite. De dia ninguém vê o meu brilho”. – “Mas, Rezingão, aqui no céu não há noite, é sempre dia. Só na Terra é que há noite e dia - aqui, não!” – “E como é que eu hei-de mostrar como sou brilhante, se aqui tudo brilha?” – voltou a dizer o Rezingão…
Entretanto, iam passando por estrelas, por planetas, por outros cometas, por luas, por galáxias… e todos esses astros sorriam e acenavam para o Rezingão e a Alegria. Ela respondia sempre, alegre e sorridente, bem disposta, com um cumprimento ou uma gracinha para cada um deles. Mas o Rezingão… nada! Continuava o seu caminho sem se dignar olhar para o lado, sem sorrir para ninguém. Parecia amuado!
A fada Alegria não pôde deixar de reparar nesse comportamento, e disse-lhe: - “Desculpa lá, Rezingão, mas tenho que te dizer que estás a ser muito mal-educado. Não correspondeste a um único cumprimento. Ainda não te vi sorrir uma única vez. Nem sequer para mim ainda sorriste!” –“Não tenho motivos para sorrir” – respondeu o Rezingão, de mau-humor. –“Como não tens motivos para sorrir?” – perguntou a Alegria. – “És um belo cometa, viajas pelo céu, de universo em universo, tens uma vida longa, uma cabeleira farta, levas boas-novas a quem te vê lá em baixo…sorri, Rezingão! Sorri para ficares ainda mais belo, mais brilhante e mais simpático. Sorri para mim, que te faço companhia na viagem! Sorri para os astros por quem passamos! Sorri, não custa nada! Custa muito menos do que manter esse ar carrancudo”. –“Falas demais” – disse o Rezingão. – Não me apetece sorrir, não me apetece falar, e nem me apetece ouvir…”
(Silêncio!)
- Então, já acabou a história? – perguntou a criança, ainda de olhos fechados, mas com a voz bem desperta.
- Não, não terminou – respondeu o Anjo – só fiz uma pausa para saber se já tinhas adormecido.
- Não, não adormeci. Não disseste para fechar os olhos e ver a história? Pois é isso mesmo que eu estou a fazer! Conta o resto, por favor, Luzinha!
- Eu conto:
«Voando com o cometa pelos céus sem fim, Alegria seguiu calada por um bom bocado, mas, como não era do seu feitio ficar calada, ou não fazer nada, resolveu cantar e dançar para alegrar o Rezingão. Não resultou! Decidiu, então, fazer magias com a sua varinha-de-condão… não resultou! Fez aparecer flores e um arco-íris, e sininhos que tocavam músicas divinas… e não resultou! De sorrisos… nada! Nem um!
«Parando por momentos para pensar no que poderia fazer para alegrar o seu companheiro de viagem, a fada Alegria apercebeu-se de que o Rezingão parecia mais pequeno, menos luminoso. Parecia?! Ou estava mesmo mais pequeno e menos luminoso? Estava mesmo! Estava, pois! O que é que estava a acontecer?
«Aflita, a fada Alegria enviou a Deus uma mensagem-pensamento a contar a sua descoberta e a pedir instruções sobre o que devia fazer naquela situação. Perguntou, também, por que é que o Rezingão estava a encolher… ela, Alegria, nunca tinha ouvido falar de um cometa que diminuísse de tamanho e de brilho…
«A resposta de Deus veio imediatamente, da mesma forma – por mensagem-pensamento: “O teu companheiro de viagem está a gastar demasiada energia para manter o seu ar carrancudo; está a gastar energia para se obrigar a não sorrir e a não olhar para os outros astros que povoam o céu (o sorriso é uma coisa natural, sabes, não exige esforço; não sorrir é que não é natural e exige esforço!); o teu companheiro está a consumir-se a si próprio. Está a gastar-se, diria Eu! Ele não Me ouve, sabes? Está tão descontente com a sua vida de cometa nesta área do Universo que só se ouve a si mesmo. Podes continuar a tentar fazer com que ele perceba que todos os outros astros são tão importantes quanto ele, e que ele é tão importante quanto cada um dos outros. Se ele perceber isso, ficará mais bem-disposto e pode até começar a sorrir, deixando, assim, de gastar a sua própria luz, a sua energia. Mas, se não conseguires, Alegria, não te preocupes, nem penses que a culpa é tua. Não é! Ele, o Rezingão, é livre de pensar como pensa e de seguir o caminho que escolheu… E se ele encolher ainda mais… paciência! É uma escolha dele. Se tu fizeres o teu melhor, a tua missão está cumprida!”
«A fada Alegria não se sentiu lá muito tranquilizada com a resposta de Deus, mas… enfim, Ele É Deus! Ele sabe!
«Continuando a voar pelos céus sem fim, a fada continuou a sorrir para todos os astros por quem passavam e para aqueles que cruzavam o seu caminho. Continuou a falar, a cantar, a dançar, a fazer magias, tentando entreter o Rezingão e dar-lhe um pouco da sua alegria. Disse-lhe que, se continuasse assim, triste e amargurado, solitário e indiferente a todos os outros astros, podia acabar por gastar toda a sua energia até chegar a um ponto em que não poderia voar. E depois? Como é que era? – “Rezingão, Rezingão, aproveita agora – dizia ela – aproveita agora para alegrares o teu rosto e sorrires à vida! Este é o momento, e o momento é agora! Fazes parte de todos estes astros… aceita-os e aceita-te como és. Não te consumas, Rezingão!” – “Se eu soubesse que Deus me mandava uma companheira de viagem tão tagarela, nem tinha pedido companhia” – respondeu o Rezingão.
«Continuando a voar pelos céus sem fim, passaram por prados de estrelas jovens, por jardins de estrelas adolescentes, por pomares de planetas maduros, por montanhas de asteróides, por rios de luz, por oceanos de amor… mas nenhuma destas maravilhas fez brilhar um sorriso no rosto do Rezingão…
«Continuando a voar pelos céus sem fim, encontraram um grupo de astros – estrelas, planetas, cometas – que pareciam estar a fugir de algo, ou de alguma coisa. O Rezingão não ligou a mínima importância, mas a fada Alegria, curiosa, pôs em acção as suas asinhas, polvilhou-as com o pó mágico e voou ao encontro do grupo. – “O que é que aconteceu? – perguntou – Parece que vão a fugir de alguma coisa!” – “E vamos mesmo – respondeu uma estrela simpática – fugimos de um buraco-negro que tem tanta força, mas tanta força, que engole quem passar lá perto. Tivemos que usar toda a nossa energia para escapar. Queremos ser livres e voar na luz, iluminando tudo e todos.”
«A fada agradeceu, acenou um adeus e voltou a toda a pressa para junto do cometa, que tinha continuado o seu percurso exactamente na mesma direcção, ou seja, na direcção de onde tinham vindo os astros que fugiam do buraco-negro. Preocupada, Alegria contou-lhe o que tinha sabido pela estrela. Desta vez, o Rezingão prestou atenção – ele sabia o que era um buraco-negro, pois já tinha escapado de uns quantos durante a sua existência. Só não sabia o que estava para além do buraco-negro e, na verdade, não estava nada interessado em saber!
«Preocupado agora, o Rezingão tentou dar meia volta no céu e seguir noutra direcção. Tentou! Tentou… e não conseguiu… Havia uma força imensa que o puxava para a frente. Uma força a que não conseguia resistir… ele não tinha força! Estava a ser atraído para o buraco-negro!
«Alegria apercebeu-se do que estava a acontecer e enviou um SOS a Deus: “O que é que eu faço?”
«Deus respondeu: “Nada, fada Alegria. Não fazes nada. Diz-lhe do teu amor, envia-lhe a tua luz e deixa-o seguir o caminho que ele próprio escolheu seguir. O Rezingão não sabe, porque decidiu fechar-se para a Minha Voz, mas um buraco-negro não é nenhum bicho-papão: é, simplesmente, a porta para outro Universo. Nesse novo Universo, nesse “depois do Agora”, uma nova existência o aguarda – uma existência definida por tudo o que ele viveu, fez ou não fez, pensou ou não pensou, disse ou não disse, decidiu ou não decidiu, no Agora que está prestes a deixar. Não fiques triste, Alegria! Ele não o sabe ainda, mas depois de atravessar a escuridão do buraco-negro, uma nova luz o aguarda – e uma nova aprendizagem, uma lição de Vida.”
«Alegria permaneceu onde estava, as asinhas a adejar a toda a velocidade, enquanto via o cometa Rezingão a afastar-se rumo ao destino que ele próprio havia decidido seguir. Depois, com todas as suas forças, enviou-lhe uma estrela de luz do seu coração, e um sorriso do tamanho do mundo. E então, aliviada pelo novo conhecimento que havia recebido directamente de Deus, voltou para trás, para a sua casinha mágica no jardim encantado, à espera da nova missão que Deus havia de lhe destinar…»
(Silêncio!)
No quarto iluminado pela luz do Anjo reinou o silêncio. A pequenita há muito que dormia, sonhando com fadas bailarinas, estrelas sorridentes e cometas vaidosos, que precisavam de companhia para viajar pelos céus sem fim… No seu rostinho bonito desenhava-se um sorriso de pura felicidade!
Amigos Multi

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