quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Pelos caminhos da VIDA...


OS CAMINHOS DA ESCURIDÃO SÃO MAIS FÁCEIS,
MAS PODEM SER ILUMINADOS
  
Como é que caminhos da escuridão podem ser mais fáceis?
Olho para as palavras, volto a olhar, dou-lhes a volta, rolo-as nos escaninhos da minha mente para ver se encaixam em algum lugar no departamento da Lógica e… nada! Confesso que não chego lá – não entendo o que querem dizer. Se são mais fáceis, significa que há outros menos fáceis… mas se, sendo da escuridão são mais fáceis, mas podem ser iluminados, então… e pronto! Chego aqui e paro. Isto não faz sentido…
- Então, aproveita agora, que paraste, para deixar a tua mente em paz e tentares SENTIR o significado da máxima!
- O quê? Como? Quem falou?
- Eu, a tua Alma!
- Oh! Minha santa Mãe!... Que susto me pregaste! Susto, só, é pouco! Quem me diz que não estou a ter alucinações auditivas? Isto não é normal!
É, sim, meu amor! As almas dos seres humanos falam com eles desta forma desde o primeiro instante em que ocupam um corpo físico… mas só um num milhão reconhece essa voz. Eu estou sempre a falar contigo, mas esta é a segunda vez que me prestas a devida atenção em todos estes anos!
- Não és mesmo a minha imaginação?
- E se for? Eu não me importo que me chames assim…
- Ai, minha santa Mãe, o que é que eu faço? Acredito nisto? Como é que eu, um ser humano insignificante, posso acreditar, ou ter a pretensão de acreditar, que a minha Alma me ouve e me responde… e ainda por cima com tanta lógica? Eu acho… eu acho que é com lógica…
- Pois, minha querida, os caminhos da escuridão são mais fáceis… é mais fácil continuares a acreditar que és um insignificante ser humano… é mais fácil continuar a sentir que a tua Alma está algures no céu, fora de ti e do teu alcance… é mais fácil continuar a acreditar que não mereces protagonizar um diálogo com qualquer divindade, muito menos com a tua própria divindade…
- Divindade? Tu és uma divindade?
- Não. TU ÉS uma divindade! NÓS SOMOS uma divindade!
- Confesso que não consigo ver as coisas desse ângulo…
- Pois, por isso a tua mente tropeça na frase e o teu coração não encontra saída… caminhas na escuridão!
- Estava aqui a pensar… se sempre falaste comigo, como é que eu nunca me dei conta?
- Pela simples razão de que prestaste sempre mais atenção à tua mente tagarela, que fala sem cessar mas só se detém – rectifico: quase sempre se detém – nas coisas fúteis ou rotineiras das tuas preocupações humanas, ou nas interacções pessoais e sociais do teu mundo de dimensão material; pela simples razão de que as minhas intervenções têm sido, e são, sempre no sentido da mudança de pensamentos, palavras ou atitudes, com vista ao teu crescimento espiritual (o que achas que é complicado e dá muito trabalho!); pela simples razão de que as minhas respostas às tuas dúvidas e questões são sempre descartadas como” histórias mirabolantes da tua prodigiosa imaginação”.
- Então, queres dizer que quando eu pensava que estava a falar comigo mesma, estava a falar contigo?
- Absolutamente! Falar contigo mesma, ou falar com a tua Alma, é a mesma coisa, pois TU ÉS EU e EU SOU TU.
- Confuso.
- Mas real!
- Fantástico.
- Mas verdadeiro!
- Mas as minhas “conversas” costumam ser assim uma coisa muito vaga, muito indistinta… como se o diálogo interior fosse todo no mesmo tom, sem altos nem baixos… Agora, não! Neste momento, eu “oiço” a tua voz ressoar na minha cabeça com clareza. Porquê?
- Porque, minha querida, te permitiste silenciar a tua mente. Quando te colocas no estado meditativo, ou quando debates um assunto – ainda que, e preferencialmente – no silêncio de ti mesma, crias as condições de vazio que me permitem fazer o papel de eco e ressoar em ti.
- Então deixa-me aproveitar este momento para esclarecer umas coisas… Voltando ao princípio: quando, lá em cima, no início, dizem que os caminhos da escuridão são mais fáceis, não estão a referir-se a caminhos das pessoas invisuais, nem do amor que é cego, nem da justiça que é cega e não vê as curvas do caminho… nem de andar de noite, no escuro…
- Não, minha querida, não se referem a nada disso, em absoluto! Escuridão contrapõe-se a luz. Luz significa conhecimento, discernimento, clareza… leveza! Escuridão significa ignorância, bloqueio mental, confusão… densidade!
«Nos caminhos da escuridão andam aqueles seres que ainda não decidiram abrir os seus olhos à sua condição divina… Caminham na densidade da terceira dimensão, tropeçando nas dúvidas e dificuldades da sua vida física, ou na ilusão do poder e da abundância material, inconscientes da lei de causa e efeito e de muitas outras leis pelas quais se rege o Universo, na inconsciência da criança que caminha descuidada e leve na beira do precipício.
- Mas porquê? Se isso não é bom, como é que é mais fácil?
- Bem, talvez seja porque uma grande fatia da massa humana garante que só se vive uma vez, e que na vida há que aproveitar tudo o que é possível… a nível material e de satisfação dos sentidos!... Então, como é mais fácil seguir a multidão do que fazer o caminho solitário – o menos fácil – os seres humanos (uma parte ainda grande) seguem o caminho mais fácil.
- Desculpa a minha ignorância, mas ainda não percebi muito bem por que é que é mais fácil… só porque os outros dizem que é?
- Também, mas não só. Vou tentar explicar: de uma forma geral, é mais fácil ser ríspido do que amoroso; é mais fácil ser indiferente do que caridoso; é mais fácil usar o tempo em diversão e prazeres fáceis do que usá-lo para meditar, aprender, conviver de forma saudável; é mais fácil contribuir para a poluição da atmosfera com os gases de automóveis cada vez mais potentes do que andar a pé; é mais fácil seguir a “moda” e fumar, ingerir bebidas alcoólicas ou usar drogas para fugir à realidade do que manter o corpo e a mente sãos, alerta e esclarecidos; é mais fácil esperar que educadores infantis, professores, psicólogos e a própria vida assumam a responsabilidade pela educação e orientação pessoal, social e divina dos filhos do que assumir para si próprio essa tarefa; é mais fácil…
- Oh! Por favor, chega! Estás a começar a deixar-me mal. Agora que falas em tudo isso, faz sentido, mas sempre pensei que essas situações não tinham nada a ver com a espiritualidade, com o crescimento pessoal, que eram só coisas da nossa vida de todos os dias!
- Claro que são coisas da vida de todos os dias! Só que não podes dissociar essa vida da outra vida, porque só há uma VIDA!
- Só há uma vida? Mas disseste…
- Não é vida com minúsculas, é VIDA com maiúsculas! O que quero dizer é que tudo o que fizeres no teu dia-a-dia constrói o tecido da tua Vida. Cada palavra, cada pensamento, cada acção, cada acto é uma laçada na malha do que é o teu suporte espiritual.
- Mas isso é uma imensa responsabilidade!
- Pois é! Mas quando desceste a este plano – quando decidiste renascer na Terra -  estavas perfeitamente consciente disso. Esqueceste, é certo, mas tudo e todos na tua vida (como acontece em todas as tuas vidas e nas vidas de todas as pessoas) te encaminham para a recordação da realidade única, ou seja, tudo e todos se esforçam por iluminar os caminhos da tua escuridão.
- Não sei muito bem onde foste buscar essa ideia… o que por aí há mais é quem me queira empurrar ainda mais para a escuridão…
- Lembras-te de te ter feito entender a questão do mais fácil com alguns exemplos? Então?! Aplica a mesma fórmula à tua vida. Observa, analisa, escolhe… e decide pela positiva – pelo menos fácil, ou seja, pela luz do conhecimento que ilumina os caminhos da escuridão que te estão a ser mostrados.
- Meu Deus! Falas de forma difícil… mas começo a entender, ou seja, começo a ver a luz! Ah! Ah! Ah! É engraçado como as “conversas” filosóficas até podem ser divertidas!
- Claro que podem ser divertidas!… Luz é Alegria, Liberdade, Consciência de Si mesmo e do Todo… Felicidade!
- Tens razão! Até me lembrei agora mesmo daquela adivinha que pergunta: O que é que quanto maior é menos se vê?”… Aqui, entre o maior e o menor, entre o menos e o mais, eu escolho o menor dos menores… de escuridão, é claro (ou é escuro?) e o mais de luz!
- Hei, o que aconteceu? Não me respondes? Estou sozinha outra vez? Não. Sozinha eu já sei que não estou. Mas acho que já sei: desconcentrei-me, distraí-me e… puff! Foi-se a ligação… mas não faz mal, sei que posso retomá-la sempre que queira: é só decidir e dispor-me a ouvir.
- Então, ouve isto ainda: Os caminhos da escuridão são mais fáceis, mas podem ser iluminados!

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